"(...) Um filme sobre uma das mais penosas (e também inevitáveis) dimensões da existência humana: o trabalho de luto face às perdas que vamos sofrendo. É algo que se sente no corpo vivo do filme, na vibração inigualável dos actores (Moretti e Laura Morante são sublimes).
É também algo que celebra cinema como peça vital de um modo singular de entender e habitar o Mundo.
Trata-se de olhar à sua volta e...ser livre. É a mais difícil de todas as coisas."
Joaão Lopes
Premiére, Fev. 2002
E um sorriso pode fazer renascer as palavras (não mortas) mas apenas adormecidas pelo tempo. Voltaram as fortes emoções, os olhares ternurentos e as lágrimas salgadas. Enquanto de um lado do mundo o sol se põe, doutro lado ilumina a penumbra e faz-nos pensar...este é um dia melhor.
quinta-feira, junho 11, 2009
terça-feira, junho 09, 2009
watch your back
Descobri no outro dia que o meu mundo pode ser tudo uma ilusão criada pela minha mente esquizofrénica. Logo: tudo o que vejo e experiencio é criado por mim, deixando pra trás das costas um universo de nada. Resultado: um olhar de esguelha (completamente infrutífero, já que continua a ser o meu olhar criador) para trás das costas uma vez por dia.
Diz que é o fenomenismo radical.
Ah e qualquer coisa pode estar atrás das minhas costas. Até um rinoceronte, o Doraemon ou o Obama. Ou os três. Medo.
Diz que é o fenomenismo radical.
Ah e qualquer coisa pode estar atrás das minhas costas. Até um rinoceronte, o Doraemon ou o Obama. Ou os três. Medo.
domingo, junho 07, 2009
eternal sunshine of the spotless mind

E se pudéssemos apagar alguém da nossa memória? Apesar de ter apanhado o filme já no final, agradou-me a ideia e a forma estranha e bizarra adoptada para o realizar. Se pudessémos empacotar sensações, momentos, imagens, se pudéssemos eliminar constantemente o passado, se pudéssemos constantemente voltar à (pura) inocência?
Um filme que nos põe a pensar sobre vários temas: a memória, a dor e a saudade...e se pudéssemos eliminar tudo isso (será que conseguiríamos?).
E se pudéssemos apagar alguém da nossa memória? Quem apagarias?
segunda-feira, maio 25, 2009
agora, um pouco de Nanni
"Aquele pouco que se pode mudar na vida não se muda por um processo racional; muda-se porque acontecem coisas, muito dolorosas ou muito belas. E essas, às vezes, são ocasiões para se mudar um pouco, esse pouco que podemos mudar."
Nanni Moretti (em entrevista ao Ípsilon)
- esperar mudar querer confundir relembrar afastar insistir desistir agarrar desprender. O caos calmo de Nanni. Tanta coisa a passar-se, tão rápido. E a verdade é que o meu desejo é sentar-me num banco de jardim, a olhar em volta, sem propósito algum.
Nanni Moretti (em entrevista ao Ípsilon)
- esperar mudar querer confundir relembrar afastar insistir desistir agarrar desprender. O caos calmo de Nanni. Tanta coisa a passar-se, tão rápido. E a verdade é que o meu desejo é sentar-me num banco de jardim, a olhar em volta, sem propósito algum.
quinta-feira, maio 21, 2009
luzes, câmara, acção
o grande Zizek
"This is my fear: as if I am nothing who pretends all the time to be somebody, and has to be hiperactive all the time, just to fascinate people enough so that they don't know this: that there is nothing."
Slavoj Zizek
Slavoj Zizek
terça-feira, abril 28, 2009
Anónimo
Em onda de barrigas, roupinhas, nomes e outras coisas afins, fiquei temporariamente possuída pelo relógio biológico dos circundantes, e assim cheguei a uma brilhante ideia. Quando um dia (pois, claro) tiver um filho, vou chamar-lhe Anónimo. Qual Pedro, Maria ou Ana? Anónimo. Simples, conciso e simultaneamente misteriosamente ambíguo. Querem nome mais original e carregado de simbolismo? As pessoas vão saber e exclamar "que belo nome".
P.S. - Anónimo ou Anônimo; ainda não decidi se entretanto parto para terras brasileiras.
P.S. - Anónimo ou Anônimo; ainda não decidi se entretanto parto para terras brasileiras.
segunda-feira, abril 20, 2009
deve ser do tempo
Há pouco tempo, numa aula, ainda meia ensonada, tive daqueles cliques que abrem o caminho para um conhecimento profundo. Nascemos (literalmente) agarrados a uma pessoa e passamos uma vida inteira à procura de outra, com quem morrer. Uma estranha forma de tentativa de regresso ao sentimento oceânico. Uma vontade enorme de ver necessidades e desejos completamente satisfeitos: O que não chega a acontecer mas, paradoxalmente, continuamos a tentar (um masoquismo cego). Afinal, é isto o amor.
quinta-feira, março 26, 2009
(de)lite
Acho piada a essa cambada de pseudo-intelectualóides que gosta de falar por meias palavras, em tom arrogante. Dizem umas piadas, elaboram frases complexas e incompreensíveis, deixam umas pistas aqui e ali na tentativa de demonstrarem o seu elevadíssimo Q.I., aah e claro espalham sempre por onde passam, um certo desinteresse artístico. São inteligentes de nascença, "cool", têm gostos estranhos, um estilo no mínimo peculiar e detestam os meros mortais. São alienados do mundo, por vezes antipáticos e transpiram um charme que só eles percebem. Já qualquer pessoa esbarrou com uma criatura destas.
Eu não os compreendo acho que são simplesmente irritantes.
sábado, março 21, 2009
esta noite improvisa-se!

Tal como a peça, a partir de agora decidi improvisar. Não pensar grande coisa, não me cansar, apenas improvisar. Largar a máscara ou, talvez, pegar noutra. Deixar uma parte de mim ou, quem sabe, reinventá-la.
Esta peça é inspirada na obra revolucionária de Luigi Pirandello de 1921. Já agora, fica aqui a manifestação de agrado pela peça em si que, creio, deveria ter-se empenhado (ainda mais) no improviso.
Esta peça é inspirada na obra revolucionária de Luigi Pirandello de 1921. Já agora, fica aqui a manifestação de agrado pela peça em si que, creio, deveria ter-se empenhado (ainda mais) no improviso.
terça-feira, março 17, 2009
"dois"
domingo, março 08, 2009
Já te disse para parares. Tira os dedos da boca, ainda vais fazer ferida. Porque é que continuas a pensar na mesma coisa, já não passou? Então pára de remoer as mesmas coisas, estás a deixar-me enjoada sempre com a mesma conversa. Tira daí a mão, não vais alterar o som na televisão outra vez, pois não? Essa paranóia é ridícula. A verdade é que fazes sempre as mesmas asneiras, já era hora de teres aprendido. Afinal, de que é que tens medo? Estás sempre assim por qualquer coisa, é um bocado irritante. Esse poder de acumulação então, deixa-me com os nervos em franja. Estás triste, chateada? Azar. É tudo mimo. Levanta-te. Recompõe-te. Deixa de ser fraca e faz alguma coisa em vez de te encravares nesse processo de auto-comiseração. Já era hora de parares de fazer birra, pareces uma criança. Sentes-te sozinha? Temos pena, todos têm problemas. Achavas que ias estar sempre rodeada de gente? Que ia ser sempre tudo igual? As coisas mudam, a vida é assim e esses clichés todos. E para que interessam os porquês? Para quê saber as razões? Afinal porque é que queres continuar a pensar em coisas que já estão resolvidas? 'o que não tem remédio, remediado está', era assim qualquer coisa parecida. Se já decidiste o que queres porque é que pensas no resto? Ah e pára de tirar o fiambre do pão, as pessoas olham.
quarta-feira, março 04, 2009
Há dias
"Há dias em que só pensamos no futuro. E dias em que temos saudades de quase tudo"
Eles olham para as ilustrações, apontam e balbuciam palavras sem sentido. Eu leio em tom teatral e deixo frases a meio. Tarefas de tia. A ler, repetidamente, livros de crianças, folheados à pressa, algumas frases ficam na memória.
Eles olham para as ilustrações, apontam e balbuciam palavras sem sentido. Eu leio em tom teatral e deixo frases a meio. Tarefas de tia. A ler, repetidamente, livros de crianças, folheados à pressa, algumas frases ficam na memória.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
o que há em mim é sobretudo cansaço
Hoje vou ficar no escuro. Não quero pensar, não vou pensar, cansa pensar, detesto pensar. Vou só sentar-me no chão do corredor, no escuro e sucumbir ao silêncio. Não faças nada, não fales, não te mexas.
Não tem mal. Na verdade, na maior parte das vezes, é um alívio enorme.
"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
(...)
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
(...)
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
Álvaro de Campos
Não tem mal. Na verdade, na maior parte das vezes, é um alívio enorme.
"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
(...)
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
(...)
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
Álvaro de Campos
terça-feira, fevereiro 03, 2009
a metamorfose

Um dia vou acordar e perceber que me transformei numa barata. Ou numa centopeia. Ou outro bichinho igualmente cativante. Vou ter carapaça dura, pança bem grande, e patinhas longas e peludas.
Vai ser difícil sair da cama, quando mais do quarto. E olha, paciência. Não me vou preocupar: nem com trabalhos ou notas, nem com questões existenciais, problemas de auto-estima ou ainda com relações interpessoais que, diga-se, só dão chatices.
Um dia vou acordar e ver um insecto asqueroso em mim. E olha, vou recostar-me na cama, puxar o cobertor, comer umas bolachas e dormir uma sesta.
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