quinta-feira, junho 12, 2008

manias

Havia uma espécie de vício que eu tinha quando era mais nova. Ligar e desligar o interruptor da luz das escadas duas vezes, quatro vezes ou seis (tanto fazia desde que fosse número par), subir as escadas em bicos de pés (ainda hoje o faço), dobrar os guardanapos a meio, formando um rectângulo, compor os volumes do rádio, da televisão para que ficassem em número par...pequenas manias que se foram entranhando não de modo obessessivo, do estilo "Melhor é impossível", mas mais "picuinhas" se assim se pode dizer. Uma coisa do género: tenho mesmo que fazer, tenho que provar que consigo fazer, vou obrigar-me a conseguir fazer, senão...qualquer coisa.
Ultimamente tenho sentido isso, mas noutras circunstâncias. Um tenho que alcançar, tenho que conseguir, tenho que concretizar a todo o custo, tenho que provar, mostrar, fazer acontecer!
Apagar e acender luzes não é difícil. Nunca falhei nos pequenos (e loucos) caprichos do dia-a-dia. Mas e se agora falho? O que virá depois do 'senão'?

7 comentários:

Anônimo disse...

Para pensares e resolveres o "senão":
“É belo ser jovens e hoje todos querem ser jovens, permanecer jovens, e mascaram-se de jovens, mesmo se o tempo da juventude passou, passou visivelmente. E pergunto-me - reflecti - por que é belo ser jovem? Por que o sonho perene da juventude? Parece-me que há dois elementos determinantes. A juventude ainda tem todo o futuro diante de si, tudo é futuro, tempo de esperança. O futuro é cheio de promessas. Para ser sinceros, devemos dizer que para muitos o futuro também é obscuro, cheio de ameaças. Não sabemos: encontrarei um trabalho? Encontrarei casa? Encontrarei o amor? O que será o meu verdadeiro futuro? E face a estas ameaças, o futuro ainda pode parecer como um grande vazio.
Por isso hoje, muitos querem parar o tempo, receando um futuro vazio. Querem consumir imediatamente todas as belezas da vida. E assim o óleo na lâmpada arde, quando começaria a vida. Por isso é importante escolher as promessas verdadeiras, que abrem ao futuro, também com renúncias. Quem escolheu Deus, também na velhice tem um futuro sem fim e sem ameaças diante de si. Portanto, é importante escolher bem, não destruir o futuro. E a primeira opção fundamental deve ser Deus, Deus que se revelou no Filho, Jesus Cristo, e na luz desta opção, que nos oferece ao mesmo tempo uma companhia no caminho, uma companhia de confiança que nunca nos deixa, na luz desta opção encontram-se os critérios para as outras escolhas necessárias. Ser jovem implica ser bom e generoso. E de novo a bondade em pessoa é Jesus Cristo. Aquele Jesus que vós conheceis ou que o vosso coração procura. Ele é o Amigo que nunca trai, fiel ao dom da vida na cruz. Cedei ao seu amor! Como tendes escrito nas t-shirts preparadas para este encontro: "derretei-vos" diante de Jesus, porque só Ele pode derreter as vossas ansiedades e os vossos receios e preencher as vossas expectativas. Ele deu a vida por vós, por todos nós. Poderia porventura atraiçoar a vossa confiança? Poderia Ele guiar-vos por veredas erradas? Os seus caminhos são os da vida, os que levam aos prados da alma, mesmo se se elevam para o alto e são ousados. É a vida espiritual que vos convido a cultivar, queridos amigos. Jesus disse: "Eu sou a videira e vós sois os ramos. Quem permanece em Mim e Eu nele, dará muito fruto, porque sem Mim nada podeis fazer" (Jo 15, 5). Jesus não faz rodeios de palavras, é claro e directo. Todos o compreendem e tomam uma posição. A vida da alma é encontro com Ele, Rosto concreto de Deus; é oração silenciosa e perseverante, é vida sacramental, é Evangelho meditado, é acompanhamento espiritual, é pertença cordial à Igreja, às vossas comunidades eclesiais.
Mas como se pode amar, entrar na amizade com quem não se conhece? O conhecimento leva ao amor e o amor estimula o conhecimento. É assim também com Cristo. Para encontrar o amor com Cristo, para o encontrar realmente como companheiro da nossa vida, devemos antes de tudo conhecê-lo. Como aqueles dois discípulos que o seguem depois das palavras do Baptista e dizem timidamente: "Rabbì, onde moras?", querem conhecê-lo de perto. É o mesmo Jesus que, falando com os discípulos, distingue: "Quem diz o povo que Eu sou?", referindo-se àqueles que o conhecem de longe, por assim dizer, "indirectamente", e "Quem dizeis vós que Eu sou?", referindo-se a quantos o conhecem "directamente", tendo vivido com Ele, tendo entrado realmente na sua vida muito pessoal até serem testemunhas da sua oração, do seu diálogo com o Pai. Assim também para nós é importante não nos limitarmos à superficialidade dos muitos que ouviram alguma coisa acerca d'Ele que era uma grande personalidade... mas entrar numa relação pessoal para o conhecer realmente. E isto exige o conhecimento da Escritura, sobretudo dos Evangelhos, onde o Senhor fala connosco. Estas palavras nem sempre são fáceis, mas entrando nelas, entrando no diálogo, batendo à porta das palavras, dizendo ao Senhor "Abre-me", encontramos realmente palavras de vida eterna, palavras vivas para hoje, actuais como eram naquele momento e como o serão no futuro. Este diálogo com o Senhor nas Escrituras deve ser sempre também um diálogo não só individual, mas de comunhão, na grande comunhão da liturgia, do encontro muito pessoal da Santa Eucaristia e do sacramento da Reconciliação, onde o Senhor diz a mim "Perdoo-te". E também um caminho muito importante é ajudar os pobres necessitados, ter tempo para o próximo. Existem tantas dimensões para entrar no conhecimento de Jesus. Naturalmente também as vidas dos Santos. (...) Só assim, conhecendo pessoalmente Jesus, podemos também comunicar esta nossa amizade aos outros. Podemos superar a indiferença. Porque também se parece invencível na realidade, algumas vezes a indiferença parece que não precisa de um Deus na realidade, todos sabem que falta algo na sua vida. Só descobrindo Jesus, se dão conta: "Era isto que eu esperava". E nós, quanto mais somos realmente amigos de Jesus, tanto mais podemos abrir o coração também aos outros, para que também eles se tornem verdadeiramente jovens, isto é, tendo diante de si um grande futuro.
(...) Ide, caríssimos jovens, aos ambientes de vida, às vossas paróquias, aos bairros mais difíceis, pelas ruas! Anunciai Cristo Senhor, esperança do mundo. Quanto mais o homem se afasta de Deus, a sua Fonte, tanto mais se perde a si mesmo, a convivência humana torna-se difícil, e a sociedade desmorona-se. Permanecei unidos entre vós, ajudai-vos a viver e a crescer na fé e na vida cristã, para poderdes ser testemunhas destemidas do Senhor. Permanecei unidos, mas não vos fecheis. Sede humildes, mas não medrosos. Sede simples, mas não ingénuos. Sede reflexivos, mas não complicados. Entrai no diálogo com todos, mas sede vós mesmos. Permanecei em comunhão com os vossos Pastores: são ministros do Evangelho, da divina Eucaristia, do perdão de Deus. São para vós pais e amigos, companheiros no vosso caminho. Vós precisais deles, e eles todos nós precisamos de vós.
Cada um de vós, queridos jovens, se permanecer unido a Cristo e à Igreja pode realizar coisas grandiosas.”
Bento XVI, 18 de Maio de 2008

João disse...

Define primeiro os parâmetros do "falhar". Depois de saberes bem o que desejas alcançar, não acho que tenhas que provar nada a ninguém. Andamos todos a procura do mesmo...

"Viver é não conseguir."
F. Pessoa

PS: Mas que texto tão fofucho, dos papa dos católicos, esse grande fascista. Obrigado por partilhares anônimo.

João disse...

PS2: és linda

Anônimo disse...

Isso do "grande fascista" referido ao Papa é um comentário superficial, demagógico e revela ignorância; pela mesma ordem de ideias Fernando Pessoa seria ainda mais o grande poeta fascista (eu não o afirmo: sigo um raciocínio semelhante superficial e demagógico). A procura honesta da Verdade é algo que exige esforço; é mais fácil ficar com a "verdade" que nos agrada. Como diz o poeta espanhol Antonio Machado:
Tu verdad no; la verdad
y ven conmigo a buscarla.
La tuya, guárdatela.

João disse...

A religião católica é uma ideologia política como outra qualquer. Pretende impor uma moral social (já existente), uma "ditadura dos céus" com base em crenças sobrenaturais nunca fundamentadas. Basta analisar o conceito de fé, que tu acolhes como uma verdade. Ter fé é acreditar apesar de toda a prova. É esta a verdade que procuras??...estranha verdade esta, que não pode ser procurada, pois não se suporta em nada que seja conhecido ao homem.

Superficialidade é acreditar sem questionar. É seguir uma religião e não cumprir as suas premissas - escolher apenas apenas as que nos convéem. Superficialidade é acreditar em virgens que dão a luz, e em todas as outras histórias. Superficialidade é por fim duvidar de tudo isto, e arrumar a questão dizendo que se trata de parábolas.

A demagogia é acreditar nos ensinamentos de Jesus (personagem ficcional, mas adiante...), fazer estas parangonas aos jovens e por fim dizer que os homossexuais e os não baptizados que vão arder no inferno.

Ignorância é então acreditar em tudo isto e em muito mais. É a arrogãncia de acreditar num Deus misericordiosos que me faz tirar boas notas num exame, mas que não intervém para salvar aquele filho que morre de fome nos braços da mãe.

Muito haveria a dizer sobre as características que me atribuis (demagogia, superficialidade e ignorãncia) mas não ha espaço nem paciência. Também fui educado numa cultura católica e provavelmente conheço melhor a bíblia do que tu....

Anônimo disse...

Este comentário é o meu ponto final nesta polémica: o blog é de uma tal "mané" de nickname,com uma nickplace "Vila Real, Portugal", e por outro lado há discussões que se tornam intermináveis por falta de querer mesmo 1 esclarecer. Só digo 3 coisas ao João:
1. quem quer acreditar só "naquilo que vê" põe um filtro estreito à realidade e, utilizando uma metáfora, perante uma ilusão de óptica (por ex. no verão ver a estrada no horizonte molhada...) não quer aceitar as explicações que lhe são dadas (eu vejo a estrada molhada e ponto!).
2. Tudo o que dizes manifesta desconhecimento e ir atrás de pseudo-"problemas" (estilo Aquiles e a tartaruga, de Zenão: espero que tenhas um mínimo de cultura filosófica); só estou de acordo com o que se refere à superficialidadde de quem não leva as suas crenças até às últimas consequências: mas isso, longe de proscrever a fé, leva a esforçar-se por vivê-la com coerência.
3. Dizes que tiveste educação na cultura católica: desculpa que te diga, mas ou não prestaste atenção ao que ouvias ou então essa cultura só tem de "católica" o nome; a visão que dás da fé NÃO TEM NADA A VER com aquilo em que acredito e procuro viver. Tenho pena que se calhar não tiveste oportunidade de conhecer Deus: eu aprendi a conhecê-lo, falar com Ele e ouvi-lo. Isto é a essência do cristianismo. O que dizes tem tanto a ver com a verdadeira fé como o vinho verde com a via verde. Muita coisa poderia explicar mas como disse isto é o ponto final: não direi mais.

João disse...

Concordo contigo...a discussão nestes termos é iníqua. Eu já fiz o meu caminho. Faz o teu, se estiveres aberto(a) a isso.

http://thesciencenetwork.org/BeyondBelief2/watch/