terça-feira, maio 13, 2008

os clichés

Hoje apercebi-me que gosto de clichés. Nunca tinha reflectido muito sobre o significado desta expressão, até porque assim,à primeira, lhe dava uma conotação negativa. Mas agora que penso nisso (que me fizeram pensar), apercebi-me que a palavra não tem obrigatoriamente de significar algo típico, usado ou até foleiro... pode simplesmente ser algo familiar, assim de uma forma boa, doce. Porque afinal quando falamos de provérbios, típicas frases ou ideias repetidas falamos de uma espécie de "confirmação" daquilo que achamos ou sentimos. É como se alguém (não tão bem definido como gostaríamos) estivesse a dar-nos razão, a mostrar-nos que afinal há situações que acontecem a todos e por isso não devemos exagerar nas nossas apreciações.
É como uma "palmadinha nas costas", um "ombro onde chorar", uma "palavra oportuna de consolo"...sim, tudo clichés. E agora? Eu gosto.

segunda-feira, maio 05, 2008

my blueberry nights

"Dizer adeus nem sempre significa o fim...às vezes é apenas um novo começo."

segunda-feira, abril 28, 2008

O Principezinho













"O que significa "cativar"?

- É uma coisa de que toda a gente se esqueceu - disse a raposa. – Significa criar laços.
- Criar laços?
- Isso mesmo - disse a raposa. - Ora vê: por enquanto, para mim, tu não és senão um rapazinho perfeitamente igual a outros cem mil rapazinhos. E eu não preciso de ti. E tu também não precisas de mim. Por enquanto, para ti, eu não sou se não uma raposa igual a outras cem mil raposas. Mas, se tu me cativares, passaremos a precisar um do outro. Passarás a ser único no mundo para mim. E, para ti, eu também passarei a ser única no mundo...
- Começo a compreender - disse o principezinho. - Sabes, existe flor...creio que ela me cativou…
- É bem possivel - disse a raposa. - Vê-se de tudo à superfície da Terra...
- Oh! não é na Terra! - disse o principezinho.
A raposa pareceu ficar muito intrigada.
- Então, é noutro planeta?
- É.
- E nesse tal planeta há caçadores?
- Não.
- Começo a achar-lhe alguma graça...E galinhas?
- Não.
- A perfeição não existe...- disse a raposa.
Mas a raposa voltou a insistir na sua ideia:
- Tenho uma vida terrivelmente monótona. Eu, caço galinhas e os homens, caçam-me a mim. As galinhas são todas iguais umas às outras e os homens são todos iguais uns aos outros. Por isso, às vezes, aborreço-me um bocado. Mas, se tu me cativares, será como se o sol iluminasse a minha vida. Distinguirei, de todos os passos, um novo ruído de passos. Os outros passos fazem-me fugir para debaixo da terra. Os teus hão-de chamar-me para fora da toca, como uma música. E depois, olha! Estás a ver, ali adiante, aqueles campos de trigo? Eu não como pão e, por isso, o trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me fazem lembrar de nada. E é triste. Mas os teus cabelos são da cor do ouro. Por isso, quando me tiveres cativado, vai ser maravilhoso! Como o trigo é dourado, há-de fazer-me lembrar de ti. E hei-de amar o barulho do vento a roçar no trigo…
A raposa calou-se e ficou a olhar durante muito tempo para o principezinho.
- Cativa-me, por favor - acabou finalmente por dizer. "



Cativar: a excelente definição do que afinal é o amor. Tantas vezes tentamos explicar de modo elaborado, enfeitado, complicado...quando afinal de contas é tao simples como sorrir. Afinal é isso que é o amor, um sorriso aberto diluído na alma, não é?

sexta-feira, abril 25, 2008

"Já agora valia a pena pensar nisto"

A verdade é que tudo acaba por passar, sejam coisas boas ou más. Atormenta-nos que as boas tenham de acabar tão depressa e assola-nos a ânsia de que as más se apressem a passar. Mas a verdade é mesmo esta: tudo acaba por passar. Só é preciso um bocadinho de paciência e também vontade que apareçam mais coisas novas (boas e más).

quarta-feira, abril 09, 2008

estar ali

Hoje mergulhei no mundo deles. Senti o cheirinho a bebé, ouvi balbuciar em tentativa de expressar um qualquer sentimento, senti as mãozinhas pequeninas a puxarem-me a camisola, observei com atenção o olhar concentrado de quem tão pouco sabendo nos consegue entrar pela alma adentro. Deitei-me no meio daqueles corpinhos pequeninos e, de um momento para o outro, tudo se tornou mais simples. Fitaram-me, os dois, com uma atenção que me surpreendeu. Como se quisessem saber o porquê de eu estar ali.
Sim, hoje mergulhei no mundo deles. Ficámos os três a olhar para o tecto e enquanto eles provavelmente pensavam em sopas, leites, brincadeiras ou nos papás, eu respirei fundo e tive um daqueles deliciosos momentos em que a cabeça se esvazia e tudo deixa de importar, senão estar ali.

terça-feira, abril 01, 2008

"Como se não houvesse amanhã"

...era assim que deviam ser todos os dias.

sexta-feira, março 07, 2008


Ás vezes gostávamos quiçá de ser infelizes. Infelizes para sentirmos a genialidade que advém desse enorme sentimento de mágoa, incrível dor e sofrimento. Parece um pensamento ridículo este de querer ficar triste, não é? Mas acima de tudo é um desejo maior que nós de podermos sentir cada fibra do nosso corpo, cada pontada na alma...o sentimento que mais nada resta, apenas a dor, apenas a raiva, apenas a arte.



"Espero que a saída seja feliz, e nunca mais voltar cá."
Frida Kahlo




segunda-feira, março 03, 2008

A borboleta

Lembro-me de tardes de Primavera. De perdida no relvado verde que parecia tao enorme, na altura, tão cheio de tudo, apanhar borboletas. Apanhar borboletas e aprisioná-las nas mãos em forma de concha. Absorver a sua cor, alegria, paixão, saborear e sorrir à conta da sua vida. Hoje em dia apetece-me fazer isso, de tempos a tempos. Aprisionar sensações deliciosas, encantadoras, vibrantes, nas palmas das mãos. Agarrá-las com força e soltá-las lentamente, soprar-lhes devagarinho, de olhos fechados e peito inchado porque assim consigo, assim sim.

domingo, fevereiro 24, 2008

"Juno"

É incrível como uma série de imagens bem conjugadas, umas palavras agradáveis e uma música bem escolhida podem realmente mudar, nem que seja apenas por breves instantes, a maneira como nos sentimos e até o modo como pensamos. É incrível como hoje em dia olhamos para um filme: como se fosse a ocasional captação da realidade; e por outro lado olhamos para a realidade numa perspectiva cinematográfica: os dramas, os olhares, os momentos parados, as imagens que ficam gravadas cá dentro.
Confundimos dois mundos propositadamente (ou não), porque queremos, porque desejamos, porque podemos. Porque podemos mudar de pessoa, de pele e até de mundo...





"You're a part time lover and a full time friend
The monkey on you're back is the latest trend
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

I kiss you on the brain in the shadow of a train
I kiss you all starry eyed, my body's swinging from side to side
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Here is the church and here is the steeple
We sure are cute for two ugly people
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

The pebbles forgive me, the trees forgive me
So why can't, you forgive me?
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

I will find my nitch in your car
With my mp3 DVD rumple-packed guitar
I don't see what anyone can see, in anyone else
But you

Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu
Du du du du du du dudu du

(...)"

The Moldy Peaches

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

"Malmequer, Bem-me-quer"

Vou sempre olhar-te assim como se pudesse ter-te para sempre só para mim. Vou sempre querer-te bem perto, abraçar-te quando tudo estiver a correr mal. Vou sempre desejar o teu toque apenas para imaginar que tudo pode correr bem. Apesar de saber que nunca te poderei tocar (aliás isso seria o fim de nós dois). Vou sempre ter-te. Beijar-te às escondidas na escuridão do meu pensamento. Vou sempre entrelaçar com força e carinho as minhas mãos atrás das costas, só para imaginar que uma delas é a tua. E apesar de sempre sabermos que nada disto se vai concretizar de verdade, num mundo real de tons escuros, tu farás exactamente o mesmo, com um sorriso nos lábios, porque também o sentes dentro de ti.

quarta-feira, fevereiro 06, 2008

o sentido

Imaginem só: uma sala escura, de fundo negro repleta de televisões que aparentam estar suspensas no ar; televisões essas que mostram, passo a passo, o eclipse da lua. É verdade que por esta altura devia dizer o senti, os pensamentos que me ocorreram, devia expressar uma opinião no mínimo artística. Devia ter pensado algo verdadeiramente inteligente. Na verdade o que senti não foi o vazio do negro da sala (que nesta altura era o meu pequeno/grande mundo) que me preenchia, nem o universo, ou a grandiosidade absoluta do infinito. O que senti foi apego à imagem, deslumbramento, felicidade inocente de uma criança. Não foi pensar, nem reflectir, não foi divagar sobre objectivos e propósitos, foi sentir. Foi deixar um mundo atrás daquela porta (deixar medos, mágoas, ânsias e até alegrias e desejos) e entrar noutro, onde de facto já estou, mas nunca me apercebo. Foi por segundos sentir calma, paz. Foi assim, sentido de realidade, que sabe bem.

domingo, janeiro 27, 2008

a carta

"O valor das coisas não está no tempo que elas duram, mas na intensidade com que acontecem. Por isso existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis."

Fernando Pessoa

Amei sim.

sábado, janeiro 26, 2008

"O meu fabuloso destino"

Apercebi-me há pouco tempo que podemos fazer escolhas. E não falo de fazermos escolhas triviais do dia a dia. Aliás até nessas falo porque são os pequenos passos para as grandes decisões. Alguém me disse que desde que o cinema chegou aos nossos tempos, temos uma visão cinematográfica do mundo. Então porque é que não fazemos de tudo para ter uma vida de filme? Porque é que nos contentamos e não ansiamos por algo mais? Porque é que já não fazemos escolhas? Afinal podemos mesmo escolher. Podemos seguir os nossos sonhos. Podemos ser astronautas, viajar pelo mundo, pôr um sorriso na cara de alguém...pôr um sorriso em nós mesmos. É uma questão de não nos acomodarmos. Seguir um sonho não é só um sonho! É realmente praticável! Podemos fazer tudo! É querer! É pensar com muita força! Sabe bem não sabe? Saber que podemos fazer algo diferente, algo que nos move!
Se estamos tristes ou abalados podemos optar por ultrapassar os problemas e regressarmos ao céu azul. É só querer com muita força, agarrar-nos às coisas boas e seguir os nossos sonhos. Acredito mais do que nunca: O sonho comanda a vida.

sábado, janeiro 19, 2008

Amor Cão

Amor é traição, Amor é angústia, Amor é pecado, Amor é egoísmo, Amor é esperança, Amor é dor, Amor é morte.


O que é o Amor?

quarta-feira, janeiro 02, 2008

dois mil e oito

Nem é tanto a coisa do dia ou do ano. Basicamente é o conceito de termos uma nova oportunidade de fazer tudo de novo, de levantar, de tentar, de finalmente conseguir... é oportunidade para reunirmos forças e seguirmos em frente. Porque afinal não é a passagem do dia 31 para o dia 1. É a passagem do passado para o futuro, do velho para o novo, do fracasso para o possível o sucesso. A passagem para um sorriso interior, para um mundo melhor.

"Vou viver, até quando eu não sei ,que me importa o que serei, quero é viver."
O António Variações resumiu e muito bem.

quinta-feira, dezembro 13, 2007

quase

Uma fronteira ténue mas dolorosa entre o aqui e o ali, entre o que consigo e o que desejo, entre a realidade e o sonho. O quase ter, o quase fazer, o quase...faltava o quase.


"O quase: regime atroz do amor, mas também estatuto decepcionante do sonho - a razão pela qual detesto os sonhos."

Roland Barthes in "A Câmara Clara"

segunda-feira, dezembro 10, 2007

6 graus

Só ontem me apercebi do significado do nome desta série. Existe uma teoria intitulada de teoria dos seis graus de distância que defende que são necessárias apenas seis ligações para que quaisquer duas pessoas no mundo estejam ligadas de alguma forma. Aquela história do primo do amigo da irmã do conhecido do meu colega. Acho engraçado isto das coincidências, dos destinos interligados, das pessoas fazerem parte da vida uma das outras de alguma maneira. Sem se aperceberem, sem sequer tendo a intenção de o fazer, jogam com as circunstâncias e logo com as suas escolhas e decisões. Saber que se calhar a nossa vida está a ser influenciada por um chinês qualquer que vive na outra ponta do mundo. Estranho, hã? Eu até lhe acho uma certa piada... tudo porque não sei quem é o raio do chinoca que anda a "controlar" a minha vida. Senão aí sim, o caso mudava de figura.

domingo, dezembro 09, 2007

anatomia de grey

"Ás vezes o que queremos, é mesmo o que precisamos (...) às vezes o que precisamos, é de um novo plano"

Sorri.

sábado, novembro 24, 2007

a lei da atracção

Dizem que se tivermos uma atitude positiva perante a vida, que só receberemos tudo de bom. Uma espécie de retribuição do universo, de teoria do "karma" ou algo parecido com a expressão "what goes around comes around".
Tudo bem, para mim serve.

sexta-feira, novembro 23, 2007

o (constante) regresso

olhos fechados. respirar devagar. ouvir o momento. sentir o silêncio. sugar a emoção. abrir os braços agarrar a vida prendê-la ao peito senti-la perto afogá-la na esperança segredar-lhe ao ouvido a falta que fez aqui perto prender-lhe os sentidos fechar-lhe as saídas beija-la devagar olhá-la por dentro prendê-la por fora tocá-la bem fundo levá-la ao limite e dizer-lhe baixo, bem baixinho com uma doçura fresca em tom de ameaça- Vem, fica. Estive à tua espera.