E um sorriso pode fazer renascer as palavras (não mortas) mas apenas adormecidas pelo tempo. Voltaram as fortes emoções, os olhares ternurentos e as lágrimas salgadas. Enquanto de um lado do mundo o sol se põe, doutro lado ilumina a penumbra e faz-nos pensar...este é um dia melhor.
quarta-feira, fevereiro 25, 2009
sexta-feira, fevereiro 13, 2009
o que há em mim é sobretudo cansaço
Hoje vou ficar no escuro. Não quero pensar, não vou pensar, cansa pensar, detesto pensar. Vou só sentar-me no chão do corredor, no escuro e sucumbir ao silêncio. Não faças nada, não fales, não te mexas.
Não tem mal. Na verdade, na maior parte das vezes, é um alívio enorme.
"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
(...)
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
(...)
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
Álvaro de Campos
Não tem mal. Na verdade, na maior parte das vezes, é um alívio enorme.
"O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.
A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente -;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.
(...)
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...
E o resultado?
(...)
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço... "
Álvaro de Campos
terça-feira, fevereiro 03, 2009
a metamorfose

Um dia vou acordar e perceber que me transformei numa barata. Ou numa centopeia. Ou outro bichinho igualmente cativante. Vou ter carapaça dura, pança bem grande, e patinhas longas e peludas.
Vai ser difícil sair da cama, quando mais do quarto. E olha, paciência. Não me vou preocupar: nem com trabalhos ou notas, nem com questões existenciais, problemas de auto-estima ou ainda com relações interpessoais que, diga-se, só dão chatices.
Um dia vou acordar e ver um insecto asqueroso em mim. E olha, vou recostar-me na cama, puxar o cobertor, comer umas bolachas e dormir uma sesta.
sábado, janeiro 24, 2009
quinta-feira, janeiro 22, 2009
"O amor romântico é como um traje, que, como não é eterno, dura tanto quanto dura; e, em breve, sob a veste do ideal que formámos, que se esfacela, surge o corpo real da pessoa humana, em que o vestimos. O amor romântico, portanto, é um caminho de desilusão. Só o não é quando a desilusão, aceite desde o príncipio, decide variar de ideal constantemente, tecer constantemente, nas oficinas da alma, novos trajes, com que constantemente se renove o aspecto da criatura, por eles vestida."
in Livro do Desassossego, Bernardo Soares
(numa visita apressada ao antigo blog ficou na memória este comentário de um - antigo - visitante regular)
in Livro do Desassossego, Bernardo Soares
(numa visita apressada ao antigo blog ficou na memória este comentário de um - antigo - visitante regular)
sexta-feira, janeiro 16, 2009
A Importância de ser Obama
Em determinadas épocas aparecem heróis. Representem eles o que representarem (seja a decadência da droga, os problemas do álcool ou a triste instabilidade emocional), simplesmente são heróis e ponto. Falamos de personagens como Elvis Presley, o cativante rei do rock’n roll, Marylin Monroe, a loira atrevida que cantou os parabéns ao seu querido Kennedy e claro falamos de Barack Obama. O herói dos nossos tempos. Resumidamente ele tem tudo e vai-nos salvar. Seja qual for o seu problema ou inquietação, o Obama resolve.Já me tinha apercebido desta autêntica “obamamania”, quando dei por mim a perguntar às pessoas se pudessem em quem votariam, mas o meu verdadeiro acordar aconteceu há poucos dias.
O almoço tinha caído bem e já não havia nada a fazer, estava a ser completamente assolada pela típica sensação de mente dormente e corpo cansado que geralmente se tem depois de uma boa refeição. De repente, algo me acordou da sestinha de velhote que dorme sentado: tocou a campainha. Quase de imediato, ouviu-se o barulho da loiça a ser abandonada provisoriamente e a empregada gritou em tom estridente e irritante um “Já boouu” à moda do Norte. E pronto acabara-se o descanso. Chegaria agora o caos disfarçado de gémeos angelicais. Não demorou muito para que a confusão se instalasse. Folheava o jornal e, quando estava finalmente a interessar-me por um artigo, tiraram-mo das mãos para satisfação do desejo duma das crianças. “Rais parta aos miúdos” pensei. Mas na verdade, a dita criança estava bastante irrequieta e precisava de um motivo de distracção. “Olha o Obama! Já Viste? Este é o Obama!” insistia alguém com o miúdo. “Podia estar eu a ler o artigo mas não” fugiu-me outro pensamento. Foi aqui que o meu dia parou. Após cinco minutos a apreciar atentamente a fotografia do homem mais badalado dos nossos dias, a criança ainda de poucas palavras disse com cara séria e carrancuda “Obama”. E continuou a olhar, a apontar e a dizer repetidamente “Obama, Obama”. Mas note-se que não foi um daqueles casos em que os pais dizem que as crianças já falam muito mas que depois quando as ouvimos falar não percebemos nada. O miúdo de um ano e pouco disse Obama com toda a dicção, com todo o tom de quem sabe do que está a falar. É verdade.
O Obama na televisão, o Obama em jornais, o Obama em cartazes, a voz do Obama na rádio, o Obama em canecas, o Obama em t-shirts, o Obama em postais, quadros, mesinhas de café. O Obama nos blogs, o Obama nas conversas, o Obama como a-primeira-palavra-do-bebé, o Obama nas pastas dos dentes, o Obama nos cereais, o Obama ao virar da esquina. O Obama de todos nós. De sorriso resplandecente, olhos pequeninos, risonhos, expressão amável e de braços abertos para nos ajudar em tudo e mais alguma coisa, aí está Barack Obama. Obama é o homem que todos os homens gostariam de ser (para atrair o público feminino) e o homem que todas as mulheres gostariam de ter. Alto, bem parecido, forte, crítico mas também poeta e sonhador. Há quem o tenha tentado deitar abaixo intitulando-o de intelectual elitista ou de poeta carente de realismo. A verdade é que estamos a falar de Obama, óbvio que qualquer crítica era escusada, claramente inútil. É Obama e pronto. Tem nome de árabe bombista mas ninguém se importa. É preto clarinho, os pretos acham-no pouco preto e os brancos um bocado pardo mas, no fim, ninguém quer saber. Porquê? Porque é Obama.
quarta-feira, janeiro 07, 2009
domingo, janeiro 04, 2009
quarta-feira, dezembro 24, 2008
terça-feira, dezembro 02, 2008
Quando me dão a mão eu sorrio e vou com eles para onde quiserem, para onde me levarem. Não me importo, não quero saber para onde, nem porquê. Correm desajeitados, com a mão pequenina agarrada à minha, soltam gargalhadas de quando a quando, tropeçam nos próprio pés. E eu vou atrás. Eles é que sabem. Com dentinhos pequeninos a espreitarem no sorriso enorme, rasgado, eles é que sabem.
sexta-feira, novembro 28, 2008
Philosofical Egoism : Max Stirner
« What is not supposed to be my concern! First and foremost, the Good Cause, then God's cause, the cause of mankind, of truth, of freedom, of humanity, of justice; further, the cause of my people, my prince my fatherland; finally, even the cause of Mind , and a thousand other causes. Only my cause is never to be my concern. "Shame on the egoist who thinks only of himself!"(...)
God and mankind have concerned themselves for nothing, for nothing but themselves. Let me then likewise concern myself for myself, who am equally with God the nothing of all others, who am my all, who am the only one.
If God, if mankind, as you affirm, have substance enough in themselves to be all in all to themselves, then I feel that I shall still less lack that, and that I shall have no complaint to make of my "emptiness." I am not nothing in the sense of emptiness, but I am the creative nothing, the nothing out of which I myself as creator create everything.
Away, then, with every concern that is not altogether my concern! You think at least the "good cause" must be my concern? What's good, what's bad? Why, I myself am my concern, and I am neither good nor bad. Neither has meaning for me.
The divine is God's concern; the human, man's. My concern is neither the divine nor the human, not the true, good, just, free, etc., but solely what is mine, and it is not a general one, but is --unique , as I am unique.
Nothing is more to me than myself! »
Viver para si mesmo. Para uma causa única e exclusivamente individual. Forte, original, audaz, mas diga-se, bastante distante da realidade.
terça-feira, outubro 21, 2008
Porque será que aquece por dentro, faz sorrir e deixa esta sensação de alívio, apercebermo-nos das fortes crenças e feitos de outrem? O meu professor chamar-lhe-ia um processo de interpassividade, um desejo de desresponsabilização. É bem possível. Seja o que for, deixa um leve (e tantas vezes breve) rasto de força e esperança. Sabe bem.
Fado do Encontro
"Vou andando
Cantando
Tenho o sol à minha frente
Tão quente, brilhante
Sinto o fogo à flor da pele
Tão quente, beijando
Como se fosses tu
Ao longe,
Distante,
Fica o mar no horizonte
É nele, por certo
Onde a tua alma se esconde
Carente, esperando
Esse mar és tu
Pode a noite ter outra cor
Pode o vento ser mais frio
Pode a lua subir no céu
Eu já vou descendo o rio...
Na foz
Revolta
Fecho os olhos penso em ti
Tão perto
Que desperto
Há uma alma à minha frente tão quente,
Beijando
Por certo que és tu
Pode a lua subir no céu
E as nuvens a noite toldar
Pode o escuro ser como breu
Acabei por t'encontrar
Vou andando
Cantando
Tive o sol à minha frente
Tão quente brilhando
Que a saudade me deixou
Pra sempre, por certo
O meu Amor és tu. "
Fado do Encontro
"Vou andando
Cantando
Tenho o sol à minha frente
Tão quente, brilhante
Sinto o fogo à flor da pele
Tão quente, beijando
Como se fosses tu
Ao longe,
Distante,
Fica o mar no horizonte
É nele, por certo
Onde a tua alma se esconde
Carente, esperando
Esse mar és tu
Pode a noite ter outra cor
Pode o vento ser mais frio
Pode a lua subir no céu
Eu já vou descendo o rio...
Na foz
Revolta
Fecho os olhos penso em ti
Tão perto
Que desperto
Há uma alma à minha frente tão quente,
Beijando
Por certo que és tu
Pode a lua subir no céu
E as nuvens a noite toldar
Pode o escuro ser como breu
Acabei por t'encontrar
Vou andando
Cantando
Tive o sol à minha frente
Tão quente brilhando
Que a saudade me deixou
Pra sempre, por certo
O meu Amor és tu. "
domingo, outubro 19, 2008
JB
O olhar vidrado no nosso, o suor que reflecte o esforço da alma, as expressões faciais descuidadas, o sorriso nervoso na tentativa de suavizar uma mágoa entranhada já há muito.
O artista. Aquele que consegue através das suas belas palavras, do seu olhar incrivelmente profundo, brotar toda a sua essência para os nossos braços, rastejando tão inesperadamente até ao nosso coração, consumindo-nos por dentro. Alguém que se dá por inteiro, que se entrega sem restrições. Alguém que expõe inocentemente todo o seu ser como tamanha paixão e intensidade que nos deixa arrasados, apanhados de surpresa.
Acho que já não existem pessoas assim.
O artista. Aquele que consegue através das suas belas palavras, do seu olhar incrivelmente profundo, brotar toda a sua essência para os nossos braços, rastejando tão inesperadamente até ao nosso coração, consumindo-nos por dentro. Alguém que se dá por inteiro, que se entrega sem restrições. Alguém que expõe inocentemente todo o seu ser como tamanha paixão e intensidade que nos deixa arrasados, apanhados de surpresa.
Acho que já não existem pessoas assim.
terça-feira, outubro 07, 2008
The Rolling Stones
"You can't always get what you want
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometime well you just might find
You get what you need"
A sensação final que nos deixa um bom filme, a frase de um livro que abre os horizontes do nosso espírito ou a música de batida alegre que passa na rádio e nos muda o dia.
Dias em que nos apercebemos que nem sempre temos aquilo que ambicionamos tão ferozmente. Nem sempre alcançamos sonhos antigos ou metas marcadas, mas tantas vezes temos exactamente aquilo que precisamos.
You can't always get what you want
You can't always get what you want
But if you try sometime well you just might find
You get what you need"
A sensação final que nos deixa um bom filme, a frase de um livro que abre os horizontes do nosso espírito ou a música de batida alegre que passa na rádio e nos muda o dia.
Dias em que nos apercebemos que nem sempre temos aquilo que ambicionamos tão ferozmente. Nem sempre alcançamos sonhos antigos ou metas marcadas, mas tantas vezes temos exactamente aquilo que precisamos.
segunda-feira, setembro 29, 2008
Só conseguia olhar para as pernas dobradas em tom de desistência e sentir os pés enregelados, mergulhados na poça de água mesmo colada ao passeio. As lágrimas escorriam sozinhas, abandonadas por qualquer sentimento, pensamento ou emoção. Elas escorriam por uma dor interior horrível e acima de tudo inegável. Ouvia a mesma canção dentro de mim outra e outra vez e aquele vazio enorme inundava-me a alma deixando-me com a mesma sensação de que já nada importa. Tristeza. Falar de estar triste e não estar realmente, no verdadeiro sentido da palavra, acontece frequentemente. Mas agora sabia: isto é que era sentir tristeza. Sentir o corpo abandonado pela alma, as forças a esvaírem-se, um sofrimento de certa maneira doce, poético. Olhar para os candeeiros de luz forte, ouvir os barulhos da rua, ver as pessoas a passar e sentir que esse mundo é um mundo à parte, uma espécie de pano de fundo (na cena errada).
Ouvi uns passos, um corpo quente a aproximar-se e presumi que fosse ele. Fui pensando no que ia dizer, de que maneira iria agir, qual seria a expressão na minha cara quando o seu olhar doce e calmo estivesse frente a frente ao meu. No fundo, o que iria fazer para disfarçar a confusão imensa que pairava dentro de mim, afirmando-me tão decidida e forte, exactamente como ele me vê. Desesperei. Deixei escapar novamente lágrimas gordas apesar de estar a fazer a maior força possível para as reprimir. Não conseguia pensar, nem raciocinar, só sentir a chuva forte a cair sobre o meu corpo pesado e novamente, os pés enregelados. “Assim não dá, assim não vai dar certo. Tenho de dizer as palavras certas, tenho de exprimir as emoções adequadas, tenho de agir de modo acertado. Tenho que fazer, agir e conseguir. Desta vez tem que ser. Tenho que conseguir levar até ao fim e fazer com que dê certo. A quem quero eu enganar? Nunca dá certo!!” E foram-se sucedendo uma série de palavras aleatórias, um discurso desorganizado, um raciocínio, que não sei ao certo até que ponto se lhe pode dar tal nome, de tão confuso que se afigurava. E de repente o tempo parou. E o coração também. Por esta altura, não sei dizer se estou a respirar ou não. Só consigo sentir a força da sua mão no meu ombro. “Estás bem?” – disse-me ele. “Não. Mas vou ficar.”
Ouvi uns passos, um corpo quente a aproximar-se e presumi que fosse ele. Fui pensando no que ia dizer, de que maneira iria agir, qual seria a expressão na minha cara quando o seu olhar doce e calmo estivesse frente a frente ao meu. No fundo, o que iria fazer para disfarçar a confusão imensa que pairava dentro de mim, afirmando-me tão decidida e forte, exactamente como ele me vê. Desesperei. Deixei escapar novamente lágrimas gordas apesar de estar a fazer a maior força possível para as reprimir. Não conseguia pensar, nem raciocinar, só sentir a chuva forte a cair sobre o meu corpo pesado e novamente, os pés enregelados. “Assim não dá, assim não vai dar certo. Tenho de dizer as palavras certas, tenho de exprimir as emoções adequadas, tenho de agir de modo acertado. Tenho que fazer, agir e conseguir. Desta vez tem que ser. Tenho que conseguir levar até ao fim e fazer com que dê certo. A quem quero eu enganar? Nunca dá certo!!” E foram-se sucedendo uma série de palavras aleatórias, um discurso desorganizado, um raciocínio, que não sei ao certo até que ponto se lhe pode dar tal nome, de tão confuso que se afigurava. E de repente o tempo parou. E o coração também. Por esta altura, não sei dizer se estou a respirar ou não. Só consigo sentir a força da sua mão no meu ombro. “Estás bem?” – disse-me ele. “Não. Mas vou ficar.”
terça-feira, setembro 16, 2008
crise
A palavra crise, numa língua oriental (japonês, creio), é constituída por dois símbolos distintos. Um significa perigo e o outro oportunidade. Pode parecer um cliché comum e batido mas a verdade é que achei bastante curiosa esta minha descoberta. No meio de toda a confusão, de todo o caos, quando pensamos que tudo está perdido (e tantas vezes, de facto, está), no meio de todo o sofrimento, dor e mágoa, existe uma saída. Porque o que não nos mata torna-nos mesmo mais fortes. Nasce assim, inadvertidamente, uma oportunidade de procurar novas situações e experiências, de viver intensamente e com muita paixão. É que em todo o caos, em toda a confusão existe sempre uma oportunidade de passar para um patamar melhor, e está mesmo à nossa frente. Falta olhar com atenção, agarrá-la com garra, sorrir-lhe com carinho e finalmente abraçá-la com muita, muita esperança.
quarta-feira, setembro 10, 2008
um
Faz hoje um ano que eles aterraram cá, as nossas bolinhas. É estranho agora chamar-lhes bolinhas porque já nada têm de pequenino: já se mexem (até demais), já tentam simular conversas, pegam em tudo o que lhes aparece à frente, observam em seu redor com uma atenção incrível, como se ainda estivessem surpreendidos com a quantidade de coisas, cores e feitios que existem.
Eles imitam-nos, reagem à nossa voz, gestos e expressões. Já fazem birra quando estão chateados, já dão gargalhadas quando acham piada a alguma coisa. Já sabem brincar, puxar, mexer, largar, agarrar, gatinhar. Se antes eram bebés, que só choravam, comiam e dormiam, agora estão, a passinhos pequeninos, a tornar-se "alguém". Quando estamos todos juntos, vejo a evolução, vejo momentos, pedaços de vida. Vejo uma série de imagens, sons e cores carregados de emoção. Vejo uma ligação semelhante à que tenho com os meus pais e irmãos. E só posso ficar feliz.
Vão-se ligando a nós e nós deixamos, meios distraídos. Que passem muitos anos (com a devida calma), queridos bolinhas. Queremos (tanto) ver-vos crescer.
Eles imitam-nos, reagem à nossa voz, gestos e expressões. Já fazem birra quando estão chateados, já dão gargalhadas quando acham piada a alguma coisa. Já sabem brincar, puxar, mexer, largar, agarrar, gatinhar. Se antes eram bebés, que só choravam, comiam e dormiam, agora estão, a passinhos pequeninos, a tornar-se "alguém". Quando estamos todos juntos, vejo a evolução, vejo momentos, pedaços de vida. Vejo uma série de imagens, sons e cores carregados de emoção. Vejo uma ligação semelhante à que tenho com os meus pais e irmãos. E só posso ficar feliz.
Vão-se ligando a nós e nós deixamos, meios distraídos. Que passem muitos anos (com a devida calma), queridos bolinhas. Queremos (tanto) ver-vos crescer.
domingo, setembro 07, 2008
Ás vezes imagino-me a viver a vida dos outros. Não de pessoas com as quais convivo diariamente, mas sim pessoas imaginadas (perfeitas na sua definição: contornadas delicadamente por pormenores específicos). Vivo fragmentos das suas vidas e tantas vezes apodero-me da sua essência, talvez por mera distracção ou pura inveja. Imagino-me a ser, sentir e agir de forma completamente diferente. Afasto-me daquilo que sou e tento-me aproximar de uma realidade confusa que, apesar de distante se assemelha mais fácil de enfrentar.Agora que reflicto melhor sobre o verdadeiro significado destas frequentes divagações, acabo por lhes tirar um sentido menos positivo. Afinal apodero-me de vidas, de diferentes personalidades,de qualidades e defeitos porque...não sei, nem quero saber, o que se passa cá dentro. É (será?) melhor assim.
«"conhece-te a ti mesmo", o que, pelo menos no meu caso, constitui um péssimo conselho. Conheço-me apenas de vista, e já é bom. Um conhecimento profundo obrigaria a uma convivência mais intensa, e eu não me dou com gente desta.»
"Opinião/Boca do Inferno" por Ricardo Araújo Pereira in Visão
«"conhece-te a ti mesmo", o que, pelo menos no meu caso, constitui um péssimo conselho. Conheço-me apenas de vista, e já é bom. Um conhecimento profundo obrigaria a uma convivência mais intensa, e eu não me dou com gente desta.»
"Opinião/Boca do Inferno" por Ricardo Araújo Pereira in Visão
sábado, agosto 23, 2008
segunda-feira, agosto 18, 2008
Mal-me-quer Bem-me-quer II
"Dá-lhe um abraço" - disse ele - "é em meu nome" - sorriu com ternura.
E ficaram assim, imóveis durante alguns segundos a olhar um para o outro, a vislumbrar um futuro irrealizável mas extremamente delicioso.
O amor platónico. A relação que não pode existir. A ligação impossível de realizar. O abraço que não pode ser dado, o beijo que não pode ser sentido, o toque que é (totalmente) proibido. Os momentos, sensações e situações que apenas tomam lugar num espaço-tempo estranho à nossa triste e esbranquiçada realidade. Afinal o amor que é mesmo perfeito precisamente por não ser de todo possível. Essa entidade superior, pura e totalizante que só existe no limiar instável da passagem para a sua concretização.
E ficaram assim, imóveis durante alguns segundos a olhar um para o outro, a vislumbrar um futuro irrealizável mas extremamente delicioso.
O amor platónico. A relação que não pode existir. A ligação impossível de realizar. O abraço que não pode ser dado, o beijo que não pode ser sentido, o toque que é (totalmente) proibido. Os momentos, sensações e situações que apenas tomam lugar num espaço-tempo estranho à nossa triste e esbranquiçada realidade. Afinal o amor que é mesmo perfeito precisamente por não ser de todo possível. Essa entidade superior, pura e totalizante que só existe no limiar instável da passagem para a sua concretização.
Assinar:
Postagens (Atom)