Olá Amélia, olá António. Sei que neste momento só se preocupam em comer, embirrar e dar pontapés (e assim será nos próximos tempos) mas tenho algumas coisas para vos dizer. Primeiro que têm uma mãe mandona e sorridente e que o vosso pai é um crente na cultura portuguesa, eternamente apaixonado pelo grande cantor Jorge Palma que um dia (esperemos) acabarão também por apreciar. Têm também três tios e uma tia. Mas os tios ficam para outra história...eu sou a vossa tia. Há tanto para dizer e contar que não tenho bem a certeza por onde começar para não vos deixar confusos. O mundo é complicado. Mas se olharmos de longe com distanciamento e optimismo ele acaba por se assemelhar bastante simples.
Primeiro, existirão um monte de princesas e príncipes, castelos e masmorras, lobos maus e dragões e também fadas madrinhas. Depois vão-se aperceber que o mundo é menos colorido, que as personagens que o integram são menos mágicas, ou por outro lado mágicas à sua maneira. Vão descobrir que o mundo não é a rua Diogo Bernardes nem a mãe Uxa e o pai Carlos. Vão descobrir que no mundo há mil e uma ruas mas nenhuma tão bonita como a vossa e que há muitos pais mas que nenhuns deles são tão especias e únicos como os vossos. Vão aprender mais tarde como falar e se expressar, vão conhecer o mundo e as coisas numa perspectiva completamente diferente. Vão chegar à conclusão que o mundo pode não ser tão mágico e cheio de fantasia como os desenhos animados mas que é bem melhor que isso porque é palpável, visível e a sua fonte de maravilhas é praticamente inesgotável. Vão aprender também que há pessoas boas e pessoas más e que nem tudo é tão cor-de-rosa como parecia ser. Vão aprender (e nem sempre compreender) que há pessoas que gostamos que nos magoam e que por vezes por muito que amemos alguém acabamos, inevitavelmente, por fazer algo de mau a essa pessoa. Vão aprender que somos pessoas, que não somos perfeitos mas que é isso que faz de nós tão interessantes e curiosos seres. Vão aprender que um filme pode mudar-nos a vida, que uma canção nos pode marcar para sempre, que um momento pode apurar todos os nossos sentidos e fazer acreditar que tudo vale a pena. Vão aprender que uma lágrima não é o fim do mundo e que haverá sempre alguém para nos segurar a mão nessas alturas menos boas. Vão aprender que um sorriso vindo do fundo do coração pode alegrar o nosso dia.
Vão também aprender (e saber logo no príncipio dos tempos) que se pode amar alguém sem sequer estar fisicamente perto dessa pessoa, sem sequer a conhecer, que é exactamente como todos nós gostamos de vocês.
Venham depressa bolinhas (mas tudo a seu tempo...) estamos à vossa espera. Não tenham medo, o mundo não é tão mau como parece.
E um sorriso pode fazer renascer as palavras (não mortas) mas apenas adormecidas pelo tempo. Voltaram as fortes emoções, os olhares ternurentos e as lágrimas salgadas. Enquanto de um lado do mundo o sol se põe, doutro lado ilumina a penumbra e faz-nos pensar...este é um dia melhor.
domingo, agosto 26, 2007
quinta-feira, agosto 23, 2007
dr.house
Ouvi uma teoria sobre a vida: que é uma série de salas onde ficamos fechados com determinadas pessoas. Essas mesmas pessoas vão determinar o rumo da nossa vida. Se nos dão a mão e nos fazem sorrir, se nos olham com crueldade e nos fazem sofrer, se nos abraçam quando mais desejamos o calor de um corpo, se mesmo estando tão longe sofremos a sua influência como se estivessem perto, se nos fazem abrir os nossos horizontes e sonhar com algo superior aos nossos próprios sonhos, se nos contagiam com a suas gargalhadas e nos aquecem suavemente a alma, se nos fazem inocentemente acreditar num mundo que afinal não existe, se nos abandonam quando mais precisamos da sua presença, se estão lá, bem pertinho, quando as coisas pioram de tempos a tempos...no fundo se nos fazem bem ou mal.
Pode-se chamar uma questão de sorte. As aparências enganam não é? Por isso mesmo nunca sabemos quando é que devemos começar uma dada relação com uma pessoa (seja ela de amor, amizade, profissonal ou de qualquer outro tipo) porque ao ínicio a única coisa que temos é uma expressão facial ou determinados tiques. Como é que podemos saber se uma simples pessoa pode adoçicar o nosso dia-a-dia ou pura e simplesmente destruir tudo o que alguma vez tentámos ser? Como é que é suposto protegermo-nos?
É engraçado porque poderia ter muitas respostas para isto como por exemplo os erros nos ajudam a ser pessoas melhores, como o sofrimento nos torna mais fortes...etc etc Mas a verdade não é esta. Sim, acredito que sofrer faça parte do crescimento e mesmo do nosso disfrutar da vida. Mas vamos lá admitir, ninguém merece sofrer por culpa de outra pessoa, isso não é sofrimento, é altruísmo estúpido. As pessoas que nos rodeiam tanto podem dar-nos a mão como olhar-nos com desdém e mesmo que isso não comprometa toda a nossa vida, influencia-nos, muda-nos de algum modo tornando-nos melhores ou piores pessoas.
Sabem que mais? Nunca tive sorte no aleatório. Quero uma sala privada.
Pode-se chamar uma questão de sorte. As aparências enganam não é? Por isso mesmo nunca sabemos quando é que devemos começar uma dada relação com uma pessoa (seja ela de amor, amizade, profissonal ou de qualquer outro tipo) porque ao ínicio a única coisa que temos é uma expressão facial ou determinados tiques. Como é que podemos saber se uma simples pessoa pode adoçicar o nosso dia-a-dia ou pura e simplesmente destruir tudo o que alguma vez tentámos ser? Como é que é suposto protegermo-nos?
É engraçado porque poderia ter muitas respostas para isto como por exemplo os erros nos ajudam a ser pessoas melhores, como o sofrimento nos torna mais fortes...etc etc Mas a verdade não é esta. Sim, acredito que sofrer faça parte do crescimento e mesmo do nosso disfrutar da vida. Mas vamos lá admitir, ninguém merece sofrer por culpa de outra pessoa, isso não é sofrimento, é altruísmo estúpido. As pessoas que nos rodeiam tanto podem dar-nos a mão como olhar-nos com desdém e mesmo que isso não comprometa toda a nossa vida, influencia-nos, muda-nos de algum modo tornando-nos melhores ou piores pessoas.
Sabem que mais? Nunca tive sorte no aleatório. Quero uma sala privada.
sábado, agosto 18, 2007
Fotografia vencedora do World Press Photo 2007.Continuo sem entender porque é que a maioria das fotos eleitas neste concurso têm de ser de desgraça e destruição. Continuo sem entender porque é que tem de haver caras tristes e expressões desesperadas que nos transmitem sensações de sofrimento e dor. Não tenho grande conhecimento da área mas posso dizer que gosto de uma fotografia que imortalize sensações agradáveis que possam ser revividas vezes sem conta. Por outro lado, o sofrimento também deve ser relembrado numa tentativa de sensibilizar as pessoas para que não se repita. Mas sabem que mais? Continuo a adorar um sorriso desdentado, um olhar malandro ou uma figura cómica, nunca tive muito jeito para lidar com a desgraça...O caminho é pra frente e (se quisermos) a felicidade também.
sábado, agosto 11, 2007
Hoje foi um daqueles dias. Em que penso e repenso, em que medito sobre as coisas mais elementares. Foi daqueles dias de "tédio" que afinal acabam por servir para alguma coisa. Começo a acreditar piamente que tudo acontece por uma razão justificável. Um dia disse inocentemente que o universo é equilibrado. Devo confessar que o afirmei convictamente, com a certeza inocente de uma criança que acredita que vai haver sempre mais um dia de brincadeira. No entanto estas nossas certezas (não só estas mas outras quaisquer) acabam por estremecer nos piores momentos, é típico, é básico, é humano. Mas depois do medo, da mágoa, do sofrimento, depois de se ter batido mesmo no fundo, só há uma solução: respirar fundo, olhar para cima e rir, rir com muita força. Um dia surpreendi-me pelo que consegui ultrapassar. Não o afirmo por me achar forte e corajosa mas porque é mesmo assim que funcionamos, fomos feitos para sobreviver, para lutar e derrubar barreira atrás de barreira.
É verdade, tornamo-nos tão frágeis pelos mais pequenos e mesquinhos motivos: vamos esmorecendo, refugiando-nos dentro de nós mesmos. Mas também é verdade que temos uma capacidade de cura surpreendente que nos torna verdadeiramente especiais e sensíveis ao mundo que nos rodeia...Podemos morrer de tempos a tempos mas já não me sinto tão insegura com esta sentença do destino porque afinal temos a certeza que uma música bonita, umas palavras bem escolhidas, um sorriso, um beijo ou uma expressão familiar vão-nos acordar bruscamente e obrigar-nos a abraçar a oportunidade de viver, de andar por aqui.
É verdade, tornamo-nos tão frágeis pelos mais pequenos e mesquinhos motivos: vamos esmorecendo, refugiando-nos dentro de nós mesmos. Mas também é verdade que temos uma capacidade de cura surpreendente que nos torna verdadeiramente especiais e sensíveis ao mundo que nos rodeia...Podemos morrer de tempos a tempos mas já não me sinto tão insegura com esta sentença do destino porque afinal temos a certeza que uma música bonita, umas palavras bem escolhidas, um sorriso, um beijo ou uma expressão familiar vão-nos acordar bruscamente e obrigar-nos a abraçar a oportunidade de viver, de andar por aqui.
quinta-feira, julho 26, 2007
Hoje
Hoje ele levantou-se com inesperada ânsia. Arregalou os olhos avermelhados, contraiu os músculos e apercebeu-se do frenesim inestético que (até hoje) tinha passado despercebido dentro de si. Vasculhou os papéis com escrita apressada, invadiu a loucura, abriu as portas daquele sentimento vazio que habitava lá bem no fundo e que agora teimava em dissolver as barreiras do inconsciente. Talvez um chá quente ou um copo de leite de frio. Talvez um banho relaxante ou uma boa massagem. Talvez até uma conversa aberta, sincera. Não, já nada curava este bichinho inquieto, insistente, insaciável.
Hoje ele levantou-se e abriu a sua alma às palavras soltas. Deixou as formas, as imagens, as linhas, as cores, a simetria, a confusão, a realidade e a ilusão apoderarem-se de todos os seus sentidos. Abriu a mente transbordante, limpando-a por momentos, dispondo-se finalmente a absorver em dimensão total e completa o mundo a negro, de ouvidos bem abertos.
Hoje ele tocou, viu, sentiu, amou cada elemento que o rodeava e acarinhava a cada segundo. Hoje ele pôs os pés no chão e apercebeu-se não só da sua existência mas do toque especial que essa mesma existência tem num mundo que não o seu. Hoje ele sabe. Está vivo.
Hoje ele levantou-se e abriu a sua alma às palavras soltas. Deixou as formas, as imagens, as linhas, as cores, a simetria, a confusão, a realidade e a ilusão apoderarem-se de todos os seus sentidos. Abriu a mente transbordante, limpando-a por momentos, dispondo-se finalmente a absorver em dimensão total e completa o mundo a negro, de ouvidos bem abertos.
Hoje ele tocou, viu, sentiu, amou cada elemento que o rodeava e acarinhava a cada segundo. Hoje ele pôs os pés no chão e apercebeu-se não só da sua existência mas do toque especial que essa mesma existência tem num mundo que não o seu. Hoje ele sabe. Está vivo.
terça-feira, julho 24, 2007
Sabem quando fazemos uma pergunta qualquer a uma criança e ela simplesmente, com uma expressão muito convicta diz :"porque sim"? Às vezes é mesmo o que me apetece, dizer "porque sim". Afinal tudo tem de ser assim tão confuso, de tão exigida meditação e drama? Tem de haver tantas questões, tantas noites mal dormidas, tantos momentos incertos? A vida tem de ser levada assim tão a sério? Eu cá passo a brincar com o destino. Quero rir com força, com vontade do que se passa à minha frente. Porquê?? PORQUE SIM.
sexta-feira, julho 13, 2007
Quero ir. Quero ficar. Deixar a saudade e levar as lembranças bem entranhadas no corpo, bem aconchegadas na alma... O que quero é deixar um pouco de mim, ir embora, esquecer, e no entanto pra sempre lembrar...
"e agora eu vou-me embora
e embora a dor não queira ir já embora,
agora eu vou-me embora
e parto sem dor."
Sérgio Godinho
"e agora eu vou-me embora
e embora a dor não queira ir já embora,
agora eu vou-me embora
e parto sem dor."
Sérgio Godinho
terça-feira, julho 10, 2007
"Eu nunca guardei rebanhos,
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho."
Alberto Caeiro, "Eu nunca guardei rebanhos"
E é assim. Ter aquele desejo de simplesmente não pensar...não só para não se sofrer tanto nos piores momentos, como também para tirar o total partido dos melhores.
Quero Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir...e não pensar.
Mas é como se os guardasse.
Minha alma é como um pastor,
Conhece o vento e o sol
E anda pela mão das Estações
A seguir e a olhar.
Toda a paz da Natureza sem gente
Vem sentar-se a meu lado.
Mas eu fico triste como um pôr de sol
Para a nossa imaginação,
Quando esfria no fundo da planície
E se sente a noite entrada
Como uma borboleta pela janela.
Mas a minha tristeza é sossego
Porque é natural e justa
E é o que deve estar na alma
Quando já pensa que existe
E as mãos colhem flores sem ela dar por isso.
Como um ruído de chocalhos
Para além da curva da estrada,
Os meus pensamentos são contentes.
Só tenho pena de saber que eles são contentes,
Porque, se o não soubesse,
Em vez de serem contentes e tristes,
Seriam alegres e contentes.
Pensar incomoda como andar à chuva
Quando o vento cresce e parece que chove mais.
Não tenho ambições nem desejos
Ser poeta não é uma ambição minha
É a minha maneira de estar sozinho."
Alberto Caeiro, "Eu nunca guardei rebanhos"
E é assim. Ter aquele desejo de simplesmente não pensar...não só para não se sofrer tanto nos piores momentos, como também para tirar o total partido dos melhores.
Quero Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir Sentir...e não pensar.
domingo, junho 24, 2007
Retirado da Gomes com o pequeno bloquinho à mão, numa daquelas tardes de domingo de conversas e divagações. Aquelas tardes que só nós sabemos:
O café vem assim a ser ao mesmo tempo e em todos os dias do ano, sucessivamente ou à uma, tribunal de costumes, aula de desporto, assembleia política, tertúlia académica, antro conspiratório. Em resumo: feira das vaidades. "Vanitas vanitatum", diz Eclesiastes. As vaidades compram-se e vendem-se em Vila Real, à mesa do café.
Referência óbvia à Pastelaria Gomes, in A. M. Pires Cabral,
Vila Real Itinerário, Vila Real 1988
O café vem assim a ser ao mesmo tempo e em todos os dias do ano, sucessivamente ou à uma, tribunal de costumes, aula de desporto, assembleia política, tertúlia académica, antro conspiratório. Em resumo: feira das vaidades. "Vanitas vanitatum", diz Eclesiastes. As vaidades compram-se e vendem-se em Vila Real, à mesa do café.
Referência óbvia à Pastelaria Gomes, in A. M. Pires Cabral,
Vila Real Itinerário, Vila Real 1988
domingo, junho 10, 2007
são momentos
Chamo-lhes momentos. Estas pequenas amostras de felicidade que parece que param no tempo como acontece nos filmes. Sabem quando se foca a atenção numa determinada cara, num sorriso especial? Ou quando as pessoas, os gestos, os acontecimentos andam em câmara lenta assim para nos fazer aperceber o quanto são importantes e necessitam do nosso forte batimento cardíaco para prevalecerem um pouco mais no tempo?
Há coisas muito más nesta vida, neste mundo mas esta é uma das coisas que me faz sentir bem, que me faz sonhar com algo superior. Os sorrisos que ficam gravados no coração, os olhares que nos irrompem pela alma adentro, os abraços que nos aquecem o espírito, os beijos carinhosos que nos deixam com "pele de galinha", os sabores amargos e doces, os cheiros fortes e leves, as luzes ofuscantes ou fracas, os sons estridentes ou silenciosos, qualquer coisa que nos toque bem fundo e nos faça ficar com a sensação que parámos entre este mundo e outro e que afinal conseguimos retirar algo de fantástico daquilo que fazemos e presenciamos.
Ouvi dizer uma vez "a vida é bela". Assim de vez em quando...acredito.
Há coisas muito más nesta vida, neste mundo mas esta é uma das coisas que me faz sentir bem, que me faz sonhar com algo superior. Os sorrisos que ficam gravados no coração, os olhares que nos irrompem pela alma adentro, os abraços que nos aquecem o espírito, os beijos carinhosos que nos deixam com "pele de galinha", os sabores amargos e doces, os cheiros fortes e leves, as luzes ofuscantes ou fracas, os sons estridentes ou silenciosos, qualquer coisa que nos toque bem fundo e nos faça ficar com a sensação que parámos entre este mundo e outro e que afinal conseguimos retirar algo de fantástico daquilo que fazemos e presenciamos.
Ouvi dizer uma vez "a vida é bela". Assim de vez em quando...acredito.
domingo, maio 27, 2007
estou além
Eternamente insatisfeita. Para sempre tão (ansiosamente) ambiciosa de algo superior. O desejo de querer, a esperança de alcançar, a força que vive e (apenas) sobrevive na nossa essência. Beijar com a alma, amar com os olhos, com os ouvidos, com o nariz, com a boca, com a pele, com os poros, com os membros, com todos e mais alguns sentidos que estabelecem a forte ligação com o exterior. O aperceber que somos todos e só um simultaneamente e que conseguimos estar (muito mais) além. Aquele formigueiro interior, aquele bichinho que habita dentro de mim e me faz querer (de)mais.
"Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci(...)"
António Variações
"Não consigo dominar
Este estado de ansiedade
A pressa de chegar
P’ra não chegar tarde
Não sei de que é que eu fujo
Será desta solidão
Mas porque é que eu recuso
Quem quer dar-me a mão
Vou continuar a procurar a quem eu me quero dar
Porque até aqui eu só
Quero quem
Quem eu nunca vi
Porque eu só quero quem
Quem não conheci(...)"
António Variações
segunda-feira, maio 21, 2007
a culpa é da vontade
E finalmente tomo consciência da minha própria existência. Não é que não o soubesse antes, que estou viva e presente, preparada para me diluir no passar dos acontecimentos. Agora sei que posso fazer os acontecimentos em si e não ser uma simples figurante tudo porque a vontade, a energia e a paixão residem dentro de mim, em todos os meus sentidos, e eu posso fazê-los acontecer, modificar, suceder...se assim o desejar.
Sou eu que escrevo o que digo por linhas tortas ou direitas, por versos doces ou amargos. Sou eu que sinto a chuva a escorrer miudinha pela pele ansiosa de calor, sou eu que absorvo o silêncio dentro do meu olhar, sou eu que sorrio ao espelho porque afinal tenho força inegável nas minhas mãos e com ela posso fazer realmente tudo, tudo o que quiser.
Sou eu que escrevo o que digo por linhas tortas ou direitas, por versos doces ou amargos. Sou eu que sinto a chuva a escorrer miudinha pela pele ansiosa de calor, sou eu que absorvo o silêncio dentro do meu olhar, sou eu que sorrio ao espelho porque afinal tenho força inegável nas minhas mãos e com ela posso fazer realmente tudo, tudo o que quiser.
domingo, maio 06, 2007
"Só somos jovens uma vez na vida. Não interessa por quanto tempo, interessa é que tenha valido a pena."
E cada vez mais sou apologista desta forma de pensar. Afinal falta-nos vontade de viver. Assombram-nos as crises, preocupam-nos os pormenores, chateiam-nos os acontecimentos inesperados e esquecemo-nos que temos de viver, aproveitar. A juventude, a aventura, o sentimento de que ainda falta tanto pela frente... não pode ser desperdiçado.
E quando acontece algo de mau? Quando as coisas boas são assombradas por situações que as estragam? Então, e como alguém me disse uma vez, não interessa o quanto dura ou como acaba, o que interessa é que tenha sido mesmo bom.
E cada vez mais sou apologista desta forma de pensar. Afinal falta-nos vontade de viver. Assombram-nos as crises, preocupam-nos os pormenores, chateiam-nos os acontecimentos inesperados e esquecemo-nos que temos de viver, aproveitar. A juventude, a aventura, o sentimento de que ainda falta tanto pela frente... não pode ser desperdiçado.
E quando acontece algo de mau? Quando as coisas boas são assombradas por situações que as estragam? Então, e como alguém me disse uma vez, não interessa o quanto dura ou como acaba, o que interessa é que tenha sido mesmo bom.
sábado, maio 05, 2007
Hoje decidi ser eu
Hoje decidi deixar de fingir. Decidi deixar de contar histórias, como faria antes para poder explicar como me sinto. Decidi não me esconder atrás personagens controversas e cenários longínquos para, finalmente, me poder aproximar mais de mim mesma. Decidi que não vou ser sempre alguém tao estupidamente feliz, com um sorriso amarelo nos lábios, quando a verdadeira vontade é de gritar a minha raiva. Decidi que de agora em diante não haverá mais desgraça apocalíptica nem o tão desejado paraíso. Decidi que haverá inúmeros sorrisos e abraços, desilusões e viganças, paixões e felicidade, dor e mágoa. Decidi que hoje, mais do que nunca, farei e direi tudo o que quiser e me apetecer porque a verdadeira beleza, o equílibrio entre nós mesmos e o que nos rodeia, reside no expor no nosso ser em bruto. Hoje, sim, decidi ser eu.
terça-feira, maio 01, 2007
o tempo faz-me disto
Sabem quando tudo parece tão indiferente? Não numa perspectiva dramática ou depressiva...mas sim de tédio, de melancolia ligeiramente amarga.
Os olhos concentram-se nas coisas mais elementares, a boca boceja, o nariz suspira aborrecido. O corpo mantém-se estático, as mãos brincam com qualquer coisa ao seu alcance, distraídas, o pé balança de um lado para o outro, de um lado para o outro, fingindo a ocupação inexistente.Tudo por causa duma tonalidade diferente do céu. O tempo faz-me disto.
Os olhos concentram-se nas coisas mais elementares, a boca boceja, o nariz suspira aborrecido. O corpo mantém-se estático, as mãos brincam com qualquer coisa ao seu alcance, distraídas, o pé balança de um lado para o outro, de um lado para o outro, fingindo a ocupação inexistente.Tudo por causa duma tonalidade diferente do céu. O tempo faz-me disto.
sexta-feira, abril 27, 2007
Aquela música dos anos 60.
Aquele espírito de liberdade.
Aquela ânsia por algo superior.
Aquela vontade de alcançar o inalcansável.
Aquele desafogo, aquela emoção, por simplesmente respirar as letras revolucionárias que fazem as pálpebras fazerem vénia para o sorriso se abrir em grande, em gesto de concordância com a alma, com o coração.
Quero ser assim: livre, fogaz, viva.
Aquele espírito de liberdade.
Aquela ânsia por algo superior.
Aquela vontade de alcançar o inalcansável.
Aquele desafogo, aquela emoção, por simplesmente respirar as letras revolucionárias que fazem as pálpebras fazerem vénia para o sorriso se abrir em grande, em gesto de concordância com a alma, com o coração.
Quero ser assim: livre, fogaz, viva.
segunda-feira, abril 16, 2007
Ultimamente
Ultimamente tenho visto coisas más. Tenho sentido que tudo pode correr mal. As pessoas podem mesmo fazer de tudo só para conseguirem o que desejam, nem que isso implique magoar quem não tem minimamente a ver com o assunto. As pessoas podem mudar e os sentimentos também. O que à partida é uma coisa que pensamos ser certa, pode mudar de um momento para o outro. Podemos sentir falta de outros tempos...podemos sentir mágoa, tristeza e um enorme vazio, tudo ao mesmo tempo, a consumir-nos por dentro, destruindo tudo o que alguma vez fomos ou que ambicionávamos inocentemente ser. Mas ultimamente não tenho visto só coisas más. Aliás, até tenho visto coisas muito boas. Coisas que me surpreendem, pessoas que me fazem sorrir só por estarem ali, a olharem-me de relance. Ultimamente tenho sentido que tudo pode correr bem. Ultimamente têm me telefonado, têm se preocupado, têm-me feito rir, têm-me contado histórias, têm-me revelado segredos...ultimamente olham-me nos olhos e dizem-me o que sentem, ouvem as minhas lamúrias horas e horas mesmo quando a altura não é a melhor...ultimamente dizem-me a verdade mesmo quando lhes dói tanto saber que me vai magoar. Ultimamente vemos a chuva a cair, fria, na noite escura, ultimamente ouvimos aquela canção de olhos fechados e alma aberta, ultimamente trocamos olhares e sorrimos porque a telepatia é só nossa, ultimamente abraçam-me quando preciso, ultimamente zangam-se e fazem-me amuar...Assim, só ultimamente, têm sido tudo para mim.
Ultimamente tenho-me apercebido que a felicidade não é um estado de espírito mas sim aquelas coisas pequeninas do dia-a-dia que acabamos por não aproveitar devidamente...Ultimamente tenho tentado ser feliz...e eles ajudam, bastante.
Ultimamente tenho-me apercebido que a felicidade não é um estado de espírito mas sim aquelas coisas pequeninas do dia-a-dia que acabamos por não aproveitar devidamente...Ultimamente tenho tentado ser feliz...e eles ajudam, bastante.
segunda-feira, abril 09, 2007
domingo, março 25, 2007
Nunca conhecemos nada nem ninguém, assim verdadeiramente. De facto, cada vez acredito mais que estas ligações que estabelecemos uns com os outros são uma forma inocente de mostrarmos o quanto necessitamos de algo seguro, que nos prenda aos sitios, que nos faça ficar por cá, tendo um motivo certo. São desculpas para nos sentirmos melhor. Desculpas incertas, promessas furadas.
Mas continuamos a acreditar porque afinal não há outra solução. Continuamos a sofrer porque não existe outro caminho. Só a solidão. Para mim não dava, não me suporto.
Mas continuamos a acreditar porque afinal não há outra solução. Continuamos a sofrer porque não existe outro caminho. Só a solidão. Para mim não dava, não me suporto.
“well, i’m ready to fly… but I ain’t got wings…”
Perde e volta a reaver. Erra e acerta em cheio. Escolhe e altera. Pára e avança. Mostra que só tu escolhes o teu destino e pelo menos desta vez, esquece que a tristeza existe. Desafia-te a ti mesmo a fazeres algo difícil, custoso mas fantástico porque foste tu e apenas tu que o conseguiste. A melhor parte? Se não conseguires agora, podes sempre tentar outra vez. Ninguém te julgará ou culpabilizará por não o conseguires e se houver um “alguém”, esse alguém serás tu mesmo.
A parte boa de um objectivo só teu? Podes alterá-lo quando quiseres. Criá-lo, construi-lo, imaginá-lo, desprezá-lo, destrui-lo, moldá-lo, mas agir de algum modo, nunca ficando indiferente.
Aquela música, aquele olhar, aquela imagem, aquele sorriso, aquele toque, aquela palavra, aquela sensação, fazem-te sentir o corpo vibrar, expectante? Então, corre, larga tudo, segue o teu rumo e não olhes para trás… a viagem ainda agora começou.
Perde e volta a reaver. Erra e acerta em cheio. Escolhe e altera. Pára e avança. Mostra que só tu escolhes o teu destino e pelo menos desta vez, esquece que a tristeza existe. Desafia-te a ti mesmo a fazeres algo difícil, custoso mas fantástico porque foste tu e apenas tu que o conseguiste. A melhor parte? Se não conseguires agora, podes sempre tentar outra vez. Ninguém te julgará ou culpabilizará por não o conseguires e se houver um “alguém”, esse alguém serás tu mesmo.
A parte boa de um objectivo só teu? Podes alterá-lo quando quiseres. Criá-lo, construi-lo, imaginá-lo, desprezá-lo, destrui-lo, moldá-lo, mas agir de algum modo, nunca ficando indiferente.
Aquela música, aquele olhar, aquela imagem, aquele sorriso, aquele toque, aquela palavra, aquela sensação, fazem-te sentir o corpo vibrar, expectante? Então, corre, larga tudo, segue o teu rumo e não olhes para trás… a viagem ainda agora começou.
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