terça-feira, janeiro 05, 2010

ele voltou

"Eu amo tudo que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errónea fé
O ontem que deixou alegria
Só porque foi,e voou
E hoje é já outro dia"

Fernando Pessoa

(porque já não me fazia companhia há algum tempo)

sábado, dezembro 12, 2009

terça-feira, dezembro 08, 2009

O António Variaçoes é o maior (cantado pelo Camané ainda melhor)

Estou além

Porque só estou bem aonde nao estou. (e é assim que sabe bem)

P.S.- peço desculpa pela falta de acentos mas por estas terras nao têm o sonido "AO" tao português...)

quarta-feira, novembro 18, 2009

Hoje lembrei-me das tardes que passávamos lá em casa, todos à volta da mesa grande, de madeira escura, a conversar e a ver as corridas na televisão. Todos falavam muito alto e lembro-me, especialmente, da voz dele e do meu pai porque são as duas muito características e porque juntas geravam ainda mais barulho e confusão entre todas as outras vozes. Lembro-me da televisão também estar muito alta e de se ouvir o barulho dos carros a passarem na estrada, sabem aquele som?
Havia sempre comida na mesa, petiscos e coisas que a tia fazia. E lá estava ele outra vez: "aqui podes comer tudo minha querida, não tenhas medo!" Irritava-me tanto na altura aqueles comentários. Depois ria-se, alto. E contava piadas e histórias de outros tempos e eu ficava a ouvir muito atenta, lembro-me que gostava de ouvi-los conversar. E ria-se outra vez, alto. E o riso dele é daquelas coisas que nunca vou conseguir esquecer (ou espero).
Depois o que me lembro também é do cheiro da garagem. Não era só a combustível mas também aos pneus e a outros materiais.
Mas o que me surgiu muito claro (em imagem e som) hoje, foram aquelas tardes. Acho que era Verão (parece-me que sinto o calor). E na quinta fazia muito calor, parecia que tudo parava, até os cães se esparramavam preguiçosos no chão. E agora lembro-me que lhes fazia festinhas no cachaço e dizia: "oh meus cãezinhos".

quarta-feira, outubro 21, 2009

prefiro o "passageiros em trânsito"

"Imaginem um rapaz correndo de mota numa estrada secundária. O vento bate-lhe no rosto. O rapaz fecha os olhos e abre os braços, como nos filmes, sentindo-se vivo e em plena comunhão com o universo. Não vê o camião irromper do cruzamento. Morre feliz. A felicidade é quase sempre uma irresponsabilidade. Somos felizes durante os breves instantes em que fechamos os olhos."

José Eduardo Agualusa in "O Vendedor de Passados"


Muito à "City of Angeles" (aliás, a primeira imagem que me surgiu na cabeça foi a Meg Ryan de braços abertos e de caracóis loiros perfeitinhos a flutuarem ao vento) mas ainda assim ficou na memória.
Tenho de fechar mais vezes os olhos (ou abri-los melhor).

quarta-feira, outubro 14, 2009

Bem-vindo




Hoje, às 15e17 nasceu o Manuel, o meu querido esquimózinho. Tem o meu nome e tudo. Mas a ele cai-lhe melhor.

terça-feira, outubro 13, 2009

pouco sono (e muitos sonhos)

Sonho nº 1 com a sala, fiquei apovorada outra vez.
Sonho nº 2 que queria tirar uma foto a todos mas não aparecia ninguém no ecrã (Freud explicaria isto com certeza).
E no outro dia sonhei: contigo.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Tibidabo







(lá mesmo, mesmo no cimo) a melhor vista sobre Barcelona

sexta-feira, outubro 09, 2009

ensaio(s)










Somos poucos entre tantos. Não somos assim tão especiais, nem assim tão importantes. Somos um em muitos. E eventualmente estamos (quase) sempre sós.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Recordação da bila. a Guga na Gomes




Vou ter aulas de Fotografia (tenho medo). "Até estranhava se não dissesses isso" - comentou. Eu ri-me, é verdade.

segunda-feira, setembro 28, 2009

A Casa Portuguesa (na Gràcia)





Finalmente encontrámo-la. Um bocadinho de Portugal mesmo, mesmo aqui ao lado. Crítica (construtiva) só deixo uma: fazem falta uns produtos nortenhos. Uns covilhetes ou uma rica feijoada caíam bem.

sexta-feira, setembro 25, 2009

sobre a vida e o esquecimento

"Como creio ter-te dito, é raro olhar-te numa fotografia. Porque então estás cingida aos teus limites onde és menos tu. Mas tenho os teus livros e cadernos (...). É terrível folheá-los e sobretudo ver a tua escrita e pensar que tu estiveste ali e és tu nesse estar, presente ausente no que escreveste e ficou. A tarde escurece e vou-me esquecer um pouco, antes que me digas esquece. E sê contente com a vida, que esquece também."

Vergílio Ferreira in "Cartas a Sandra"

quinta-feira, setembro 17, 2009

(molt) em feia por




Geralmente são espelhos. Não um espelho normal de casa de banho ou quarto, mas sim dois espelhos frente a frente ou vários na mesma divisão. Deixa-me sem ar. Parece que o espaço se torna infinito em tempo e lugar (o que remete para outras questões de existência, do universo e afins que me recuso a enfrentar).
No outro dia, numa sala de um edificio de oferta turístico-cultural (que não vou aqui referir, correndo o risco de parecer um guia turístico pretencioso) tive medo, a sensação de ansiedade, de não querer virar a esquina. O antecipar horripilante da ponta do iceberg da qual o nosso inconsciente nos tem tentado proteger a vida inteira (mesmo à filme de terror). Era uma sala negra com cerca de 10 televisões (daquelas gordas, antigas - nada de ecrãs LCD) assim com "piquinhos" cinzentos como quando a antena não consegue encontrar sinal. Todas as televisões assim, "desintonizadas" e o barulho horrível desse caos televisivo.
Mas, nos últimos tempos, o que me tem perseguido são os sonhos (/pesadelos). Todas as noites quando me deito tenho medo: de acordar, ter o corpo cansado e preguiçoso de viver.
Há uns dias levantei-me e foi tudo normal. Não percebi na altura mas a sensação desapareceu e o cansaço também. "São fases"
Aqui fica uma foto da tal exposição da qual não vou referir a proveniência (quem for minimamente culto que se delicie - pretenciosidade outra vez).

quarta-feira, julho 22, 2009

a dúvida

Apercebi-me há pouco tempo que pode ser a pior coisa que conhecemos. E se?e será? mas e? as constantes perguntas o insustentável sufoco a mesma perseguição outra e outra e outra vez.
Há coisas que nunca vou ter coragem de perguntar. Há coisas que nunca me vão saber responder. Há coisas às quais me vão sempre mentir.

e às vezes olhamos para fora do nosso círculo de resignação e acontece:
"doubts. I have such doubts!"

domingo, julho 12, 2009

Hoje, às 6 e 43 da manhã, nasceu o Benjamim


e tem a boquinha mais querida que já alguma vez vi.

quarta-feira, julho 08, 2009

afinal é isto

"Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. Mas o que acontecera ao certo com Sabina?(...)
O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser."

Milan Kundera


o vazio.

quinta-feira, junho 11, 2009

(submersa n)O Quarto do Filho

"(...) Um filme sobre uma das mais penosas (e também inevitáveis) dimensões da existência humana: o trabalho de luto face às perdas que vamos sofrendo. É algo que se sente no corpo vivo do filme, na vibração inigualável dos actores (Moretti e Laura Morante são sublimes).
É também algo que celebra cinema como peça vital de um modo singular de entender e habitar o Mundo.
Trata-se de olhar à sua volta e...ser livre. É a mais difícil de todas as coisas."

Joaão Lopes
Premiére, Fev. 2002

quem é quem?

terça-feira, junho 09, 2009

watch your back

Descobri no outro dia que o meu mundo pode ser tudo uma ilusão criada pela minha mente esquizofrénica. Logo: tudo o que vejo e experiencio é criado por mim, deixando pra trás das costas um universo de nada. Resultado: um olhar de esguelha (completamente infrutífero, já que continua a ser o meu olhar criador) para trás das costas uma vez por dia.
Diz que é o fenomenismo radical.
Ah e qualquer coisa pode estar atrás das minhas costas. Até um rinoceronte, o Doraemon ou o Obama. Ou os três. Medo.

domingo, junho 07, 2009

eternal sunshine of the spotless mind


E se pudéssemos apagar alguém da nossa memória? Apesar de ter apanhado o filme já no final, agradou-me a ideia e a forma estranha e bizarra adoptada para o realizar. Se pudessémos empacotar sensações, momentos, imagens, se pudéssemos eliminar constantemente o passado, se pudéssemos constantemente voltar à (pura) inocência?
Um filme que nos põe a pensar sobre vários temas: a memória, a dor e a saudade...e se pudéssemos eliminar tudo isso (será que conseguiríamos?).
E se pudéssemos apagar alguém da nossa memória? Quem apagarias?