quinta-feira, setembro 17, 2009

(molt) em feia por




Geralmente são espelhos. Não um espelho normal de casa de banho ou quarto, mas sim dois espelhos frente a frente ou vários na mesma divisão. Deixa-me sem ar. Parece que o espaço se torna infinito em tempo e lugar (o que remete para outras questões de existência, do universo e afins que me recuso a enfrentar).
No outro dia, numa sala de um edificio de oferta turístico-cultural (que não vou aqui referir, correndo o risco de parecer um guia turístico pretencioso) tive medo, a sensação de ansiedade, de não querer virar a esquina. O antecipar horripilante da ponta do iceberg da qual o nosso inconsciente nos tem tentado proteger a vida inteira (mesmo à filme de terror). Era uma sala negra com cerca de 10 televisões (daquelas gordas, antigas - nada de ecrãs LCD) assim com "piquinhos" cinzentos como quando a antena não consegue encontrar sinal. Todas as televisões assim, "desintonizadas" e o barulho horrível desse caos televisivo.
Mas, nos últimos tempos, o que me tem perseguido são os sonhos (/pesadelos). Todas as noites quando me deito tenho medo: de acordar, ter o corpo cansado e preguiçoso de viver.
Há uns dias levantei-me e foi tudo normal. Não percebi na altura mas a sensação desapareceu e o cansaço também. "São fases"
Aqui fica uma foto da tal exposição da qual não vou referir a proveniência (quem for minimamente culto que se delicie - pretenciosidade outra vez).

quarta-feira, julho 22, 2009

a dúvida

Apercebi-me há pouco tempo que pode ser a pior coisa que conhecemos. E se?e será? mas e? as constantes perguntas o insustentável sufoco a mesma perseguição outra e outra e outra vez.
Há coisas que nunca vou ter coragem de perguntar. Há coisas que nunca me vão saber responder. Há coisas às quais me vão sempre mentir.

e às vezes olhamos para fora do nosso círculo de resignação e acontece:
"doubts. I have such doubts!"

domingo, julho 12, 2009

Hoje, às 6 e 43 da manhã, nasceu o Benjamim


e tem a boquinha mais querida que já alguma vez vi.

quarta-feira, julho 08, 2009

afinal é isto

"Costuma dizer-se que nos caiu um fardo em cima. Carregamos esse fardo, suportamo-lo ou não o suportamos. Lutamos com ele, perdemos ou ganhamos. Mas o que acontecera ao certo com Sabina?(...)
O seu drama não era o drama do peso, mas o da leveza. O que se abatera sobre ela não era um fardo, mas a insustentável leveza do ser."

Milan Kundera


o vazio.

quinta-feira, junho 11, 2009

(submersa n)O Quarto do Filho

"(...) Um filme sobre uma das mais penosas (e também inevitáveis) dimensões da existência humana: o trabalho de luto face às perdas que vamos sofrendo. É algo que se sente no corpo vivo do filme, na vibração inigualável dos actores (Moretti e Laura Morante são sublimes).
É também algo que celebra cinema como peça vital de um modo singular de entender e habitar o Mundo.
Trata-se de olhar à sua volta e...ser livre. É a mais difícil de todas as coisas."

Joaão Lopes
Premiére, Fev. 2002

quem é quem?

terça-feira, junho 09, 2009

watch your back

Descobri no outro dia que o meu mundo pode ser tudo uma ilusão criada pela minha mente esquizofrénica. Logo: tudo o que vejo e experiencio é criado por mim, deixando pra trás das costas um universo de nada. Resultado: um olhar de esguelha (completamente infrutífero, já que continua a ser o meu olhar criador) para trás das costas uma vez por dia.
Diz que é o fenomenismo radical.
Ah e qualquer coisa pode estar atrás das minhas costas. Até um rinoceronte, o Doraemon ou o Obama. Ou os três. Medo.

domingo, junho 07, 2009

eternal sunshine of the spotless mind


E se pudéssemos apagar alguém da nossa memória? Apesar de ter apanhado o filme já no final, agradou-me a ideia e a forma estranha e bizarra adoptada para o realizar. Se pudessémos empacotar sensações, momentos, imagens, se pudéssemos eliminar constantemente o passado, se pudéssemos constantemente voltar à (pura) inocência?
Um filme que nos põe a pensar sobre vários temas: a memória, a dor e a saudade...e se pudéssemos eliminar tudo isso (será que conseguiríamos?).
E se pudéssemos apagar alguém da nossa memória? Quem apagarias?

segunda-feira, maio 25, 2009

agora, um pouco de Nanni

"Aquele pouco que se pode mudar na vida não se muda por um processo racional; muda-se porque acontecem coisas, muito dolorosas ou muito belas. E essas, às vezes, são ocasiões para se mudar um pouco, esse pouco que podemos mudar."

Nanni Moretti (em entrevista ao Ípsilon)


- esperar mudar querer confundir relembrar afastar insistir desistir agarrar desprender. O caos calmo de Nanni. Tanta coisa a passar-se, tão rápido. E a verdade é que o meu desejo é sentar-me num banco de jardim, a olhar em volta, sem propósito algum.

quinta-feira, maio 21, 2009

luzes, câmara, acção




É verdade, começou a fase de filmagens e com ela surgiram uma série de variantes: dúvidas, caos e uma enorme dor de costas. No entanto, aqui fica o agradecimento aos figurantes e actores (principalmente aos nossos protagonistas: netto e zé) pela paciência e, claro, boa disposição.

o grande Zizek

"This is my fear: as if I am nothing who pretends all the time to be somebody, and has to be hiperactive all the time, just to fascinate people enough so that they don't know this: that there is nothing."

Slavoj Zizek

terça-feira, abril 28, 2009

completamente viciada

Anónimo

Em onda de barrigas, roupinhas, nomes e outras coisas afins, fiquei temporariamente possuída pelo relógio biológico dos circundantes, e assim cheguei a uma brilhante ideia. Quando um dia (pois, claro) tiver um filho, vou chamar-lhe Anónimo. Qual Pedro, Maria ou Ana? Anónimo. Simples, conciso e simultaneamente misteriosamente ambíguo. Querem nome mais original e carregado de simbolismo? As pessoas vão saber e exclamar "que belo nome".

P.S. - Anónimo ou Anônimo; ainda não decidi se entretanto parto para terras brasileiras.

segunda-feira, abril 20, 2009

deve ser do tempo

Há pouco tempo, numa aula, ainda meia ensonada, tive daqueles cliques que abrem o caminho para um conhecimento profundo. Nascemos (literalmente) agarrados a uma pessoa e passamos uma vida inteira à procura de outra, com quem morrer. Uma estranha forma de tentativa de regresso ao sentimento oceânico. Uma vontade enorme de ver necessidades e desejos completamente satisfeitos: O que não chega a acontecer mas, paradoxalmente, continuamos a tentar (um masoquismo cego). Afinal, é isto o amor.

domingo, abril 12, 2009



auto-retrato na praia do forte. eu regressei mas (infelizmente) o calor não.

quinta-feira, março 26, 2009

(de)lite

Acho piada a essa cambada de pseudo-intelectualóides que gosta de falar por meias palavras, em tom arrogante. Dizem umas piadas, elaboram frases complexas e incompreensíveis, deixam umas pistas aqui e ali na tentativa de demonstrarem o seu elevadíssimo Q.I., aah e claro espalham sempre por onde passam, um certo desinteresse artístico. São inteligentes de nascença, "cool", têm gostos estranhos, um estilo no mínimo peculiar e detestam os meros mortais. São alienados do mundo, por vezes antipáticos e transpiram um charme que só eles percebem. Já qualquer pessoa esbarrou com uma criatura destas.
Eu não os compreendo acho que são simplesmente irritantes.

sábado, março 21, 2009

esta noite improvisa-se!



Tal como a peça, a partir de agora decidi improvisar. Não pensar grande coisa, não me cansar, apenas improvisar. Largar a máscara ou, talvez, pegar noutra. Deixar uma parte de mim ou, quem sabe, reinventá-la.
Esta peça é inspirada na obra revolucionária de Luigi Pirandello de 1921. Já agora, fica aqui a manifestação de agrado pela peça em si que, creio, deveria ter-se empenhado (ainda mais) no improviso.

terça-feira, março 17, 2009

"dois"



Agora, já gritam os dois "Mané" constantemente e com quase perfeita dicção. Não é pra me gabar, mas (e é um dado adquirido) são absolutamente irresistíveis.

domingo, março 08, 2009

Já te disse para parares. Tira os dedos da boca, ainda vais fazer ferida. Porque é que continuas a pensar na mesma coisa, já não passou? Então pára de remoer as mesmas coisas, estás a deixar-me enjoada sempre com a mesma conversa. Tira daí a mão, não vais alterar o som na televisão outra vez, pois não? Essa paranóia é ridícula. A verdade é que fazes sempre as mesmas asneiras, já era hora de teres aprendido. Afinal, de que é que tens medo? Estás sempre assim por qualquer coisa, é um bocado irritante. Esse poder de acumulação então, deixa-me com os nervos em franja. Estás triste, chateada? Azar. É tudo mimo. Levanta-te. Recompõe-te. Deixa de ser fraca e faz alguma coisa em vez de te encravares nesse processo de auto-comiseração. Já era hora de parares de fazer birra, pareces uma criança. Sentes-te sozinha? Temos pena, todos têm problemas. Achavas que ias estar sempre rodeada de gente? Que ia ser sempre tudo igual? As coisas mudam, a vida é assim e esses clichés todos. E para que interessam os porquês? Para quê saber as razões? Afinal porque é que queres continuar a pensar em coisas que já estão resolvidas? 'o que não tem remédio, remediado está', era assim qualquer coisa parecida. Se já decidiste o que queres porque é que pensas no resto? Ah e pára de tirar o fiambre do pão, as pessoas olham.

quarta-feira, março 04, 2009

Há dias

"Há dias em que só pensamos no futuro. E dias em que temos saudades de quase tudo"

Eles olham para as ilustrações, apontam e balbuciam palavras sem sentido. Eu leio em tom teatral e deixo frases a meio. Tarefas de tia. A ler, repetidamente, livros de crianças, folheados à pressa, algumas frases ficam na memória.